Sou um enorme fã de F1. Os meus amigos sabem que eu não troco aquela hora e 45 minutos de corrida por nada deste mundo… E quando digo nada, é mesmo nada…. Não perco um GP em directo na TV desde 96 (primeira época de Michael Schumacher com a Ferrari)… e várias vezes tive de gramar com comentários em Italiano ou Alemão porque a nossa querida RTP não transmitia a corrida e lá tinha eu de apanhar a RTL ou a RAI…
Lembro-me de ter os meus 7 aninhos e assitir aos domingos à tarde, com o meu pai (um ex-aficionado), à época de domínio da MacLaren em 1988 com a dupla Senna/Prost. Lembro-me do domínio dos Williams no início da década de 90 com todo o tipo de ajudas electrónicas possíveis e imaginárias! Lembro-me como se fosse hoje de saltar de alegria ao ver o carro de Hill a ficar parado na box (Australia 94) com a suspensão danificada, naquele que ainda hoje muitos dizem ser o acto “mais porco” de Schumacher na F1, mas que lhe deu o primeiro dos seus 7 títulos. Lembro-me do primeiro fim de semana de Maio de 1994, e do dia mais triste da F1 desde que a sigo.

Mas vamos ao que interessa: Sou fã de Pedro Lamy. Acho-o o melhor piloto de sempre Português. Acho que nunca vou esquecer a corrida fantástica que fez na Australia, em 95, última prova do calendário… Pontuou pela Minardi. Elevou-se ao estatudo de deus para os fãs do automobilismo em Portugal. Quando abandonou a F1 segui alguns pilotos “tugas” que achei que poderiam ser boas apostas na F1… André Couto, Rui Águas, etc… nunca nenhum chegou sequer lá perto…
Há algum tempo comecei a ler as notícias de um tal de Tiago Monteiro. Um tipo que só começou a correr aos 21 anos porque uns amigos o convenceram a dar umas voltas num circuito com um carro de um troféu monomarca… na primeira vez que pegou no carro fez um tempo melhor do que os pilotos da equipa… alguém o convenceu a fazer uns testes, e coisa e tal já andava ele na Champ Cars americana.
E aí segui as provas dele pela Eurosport. E fiquei desiludido. Nunca vi uma única boa prova dele nas terras do Tio Sam.
Depois de finda a época na Champ Cars, o Tiago seguiu para um campeonato nipónico onde fez equipa com um indiano. Narain Karthikeyan era sistematicamente mais rápido que o Português, mas a dupla parecia ser sólida o suficiente para que os responsáveis da sua equipa que tinham acabado de adquirir a Jordan-Honda apostassem neles para pilotos de F1.
A época começou e o Tiago começou mal. Muito mal. Batido sistematicamente pelo indiano, com ritmo de corrida lento, erros de “inciado”… E eu critiquei-o! E muito! (Não estou a falar em relação ao facto de ele ficar sistematicamente fora do top ten, porque a Jordan é a Jordan… o campeonato do Tiago é unica e exclusivamente com o seu companheiro de equipa.)
Disse-o na altura: “Nao é piloto para a fórmula 1!”

Até que a partir de Imola se começou a ver uma inversão de papéis entre os dois pilotos da equipa (e muito se deve ao facto do Tiago Monteiro ter passado a contar com a colaboração de um engenheiro de pista da sua confiança). T.M. era agora muito mais rápido, consistente e batia Narain com facilidade.

Hoje, para além de bater um record de Phil Hill que durava desde 1959 (maior número de corridas consecutivas terminadas por um rookie), o Tiago deu provas de grande consistência.
É certo que só estavam 6 carros na grelha. É certo que a Michelin meteu àgua, não soube contruír um pneu que aguentasse a pressão na sua parte lateral devido ao banking da oval de Indianapolis e ainda tentou alterar as regras pelas quais tanto lutou no ano passado para poder tirar o domínio à Bridgestone e à Ferrari. A FIA não cedeu (e bem), e a Michelin amanhã vai acordar enterrada em bosta até aos olhos… O que hoje se passou foi pura e simplesmente incompetência da Michelin prejudicando não só as “suas” equipas como a própria credibilidade da F1.
Mas voltemos ao Tiago.
Estavam somente 6 carros em pista. 2 deles virtualmente inatingíveis (fora algum “precalço” como o que o Rubens esteve perto de provocar…), mas o certo é que o Tiago tinha que se mostrar mais rápido que o colega, nas mesmas condições que ele. E mostrou que é melhor. E sobretudo muito forte mentalmente. Não se viu uma única travagem queimada (como as tantas que o Narain fez durante a corrida), sinal de concentração total. Acompanhei a corrida também através do “live timing” do site www.f1.com… O Tiago fez voltas extremamente consistentes durante toda a corrida. Em suma, foi brilhante.

E mereceu os festejos no pódium. Ele sabe bem que esta situação não se deverá repetir, por isso fiquei extremamente feliz por ver que ele me provou que eu estava enganado, que ele é realmente “produto” para a F1, e que Portugal está lá muito bem representado!

E hoje deixou-me todo babado quando os meus conhecidos estrangeiros passaram o tempo todo no msn a dar-me os parabéns por ter um “tuga” lá bem nos píncaros nos nossos encontros regulares após os GP’s!

Obrigado Tiago Monteiro!
Parabéns Tiago Monteiro!

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