Mais um dos motivos que me farão não escrever nada nos próximos dias. Para quem as conhece, é facil perceber o porquê ;)


Fazem parte da alma genuína da freguesia. E dizer que sem elas a terra ficaria meia viva a caminho de meia morta e já a evocar o passado histórico da muita “fome, festa e guerra” que certamente está na origem do extraordinário culto prestado aqui na região a este Santo Mártir. Festa maior que todas porque na sua origem esteve certamente a cultura popular. A ela vamos. Também ao saber popular. Com sabor a camélias de várias cores a atapetar o chão ao “martele” os provérbios e as rezas nas bocas transmissoras de mais idade. E tudo imbuído de mentalidade mágica à mistura com as influências clericais vindas dos meios urbanos e que aqui não conseguiram vencer resistências rurais e ancestrais. Então, a festa cria espaço e movimento, razão e pretexto, onde intervinha o corpo e a voz. O passear profano e a procissão das imagens. O afastar dos males, dos olhados, ou trazidos pelos ares. Nos dias antes o caminhar à noite ao oratório do Santo a quem se repetia sem cessar:

Ó Sebastião bendito
Livrai-nos do mal da peste
Dai forças para imitarmos,
Os exemplos que nos destes…

Já poucos se lembram dos tempos horríveis das pestes que dizimaram a região durante os séculos XV, XVI, XVII e até muito depois. Notícias da época dizem que a vizinha freguesia de Carvalhosa foi atingida.
Freamunde tê-lo-ia sido também. É bem certo que o sistema administrativo em vigor desde D. João I previa que todos os habitantes do Termo do Porto, em troca do muito que tinham de dar ao alargamento da cidade, deveriam ser socorridos pela Câmara do Porto em qualquer destas situações graves de peste e fome… Mas também é certo que ninguém disso se fiava. Faltava o pão, faltavam as mezinhas, os medicamentos e os sangradores não vinham. Eram caros e já por então o estado pagava mal. Os açambarcadores pairavam como abutres e de nada valiam as tabelas de preços e as fiscalizações dos almofades.

Mais valia confiar em Deus e nos Santos mais acarinhados e chegados… E aqui todos estariam de acordo. Pedir aos Santos sempre foi mais económico e incomodou menos as autoridades.
Daí votos e promessas, individuais e colectivas. Daí o enorme culto ao mártir trespassado. Daí a construção muito provàvelmente ainda no Sec. XV duma capela a São Sebastião ainda no lugar mais antigo de Freamunde de Cima. A capela ainda aparece documentada em pleno Sec. XVIII, ao tempo de D. Joao V, quando o padre Lucas Ferreira respondeu aos inquéritos paroquiais. O pequeno templo foi demolido para dar lugar à Capela de São Francisco. A imagem, porque afinal a imagem vista, sentida, tocada, passeada, ornada, que era a fé do povo, recolheu à Igreja Matriz.
O nome de São Sebastião, esse ficou ali em Freamunde de Cima e na memória do povo que por vezes é mais sensivel ao que realmente vale. Ninguém saberá porquê, mas ao que parece, essa mesma imagem foi parar ao Hospício contíguo à capela de São Francisco. Diz quem a viu e sabe dessas coisas e muito carinho lhes tem, que a imagem é datada do Sec. XV, ou pelo menos do sec. XVI.

Na actualidade as festas são grandiosas, mas muito intrometidas já pela cultura urbana ressentido o seu sabor primitivo para as vias de extinção.
Aparecem os carros alegóricos, alegorando ideias novas e nem sempre inteligentes, Os bombos, os Zés-Pereiras, os Gigantones e os Cabeçudos e principalmente os Ruidosos Foguetes

e as magníficas Vacas de Fogo, Cortejo Alegório, os Concertos.
Aparecem os romeiros e os comerciantes, os pícaros e os foliões, os pagadores de promessas e os que de tudo se riem.
Felizmente ao povo de Freamunde nunca faltou o bom gosto de fazer chegar aqui as mais importantes Bandas de Música e até o melhor folclore. Felizmente!

Texto retirado de:

http://www.jf-freamunde.pt/sebastianashistoria.html

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