Existem coisas difíceis de compreender.

À porta da faculdade de Ciências aqui do Porto existem meia dúzia (literalmente) de lugares onde é possível estacionar o carro. Essa meia dúzia de lugares possuem parquímetros que não aceitam mais do que duas horas de “aluguer”. Curioso é o facto de que existem aulas de 3 horas na faculdade, ou seja, para além do ridículo que é obrigar os estudantes a correr de duas em duas horas para os parquímetros, há alturas em que isso nem sequer é possível. Que o digam 3 colegas do meu curso (entre as DEZENAS que se viram na mesma situação) que viram os seus carros rebocados na segunda e terça feira. E aí está outro ponto engraçado. Antes das eleições, não se via um funcionário da câmara nas ruas para multar fosse quem fosse. Termina o período eleitoral e perde-se a vergonha de mandar uns 10 funcionários da câmara par multar os estudantes num raio de 1 km em volta das faculdades de Ciências e Arquitectura. Como não gosto de ser multado prefiro deixar a carrinha bem longe… numa ruela que liga o teatro do Campo Alegre e o CDUP. Ontem deixei lá a carrinha. Devido à última vaga de multas, imensa gente começou a lá deixar também os carros, e acabei por deixar o meu já perto do largo de entrada do CDUP. Afinal de contas, deveria ser um sítio seguro… está perto do local de portaria do CDUP, e nem a 50 metros do posto da BT. Estacionei por volta das nove e meia. Saí das aulas ao fim da tarde, e quando estou a chegar ao local reparei que estavam uns vidros no chão. Nem 10 segundos depois reparei que eram vidros da minha carrinha. Algum filho da puta (desculpem lá a linguagem, mas não encontro melhor adjectivo) meteu um pé-de-cabra entre a porta e o vidro, e forçou de forma a que este partisse… entraram-me na carrinha mas não levaram nada. Mas tentaram… por debaixo do volante tinha os plásticos dobrados e uns fios de fora. Não tiveram a inteligência de perceber que uma carrinha a gasóleo não serve para as convencionais ligações directas… Só lá tinha deixado uma mala de cd’s, uns óculos de sol e…. os documentos da própria carrinha. Tenho sempre o cuidado de os levar comigo, mas ontem, não sei porquê esqueci-me.

Fiz a queixa habitual na esquadra da Boavista, não que vá servir de algo, mas na esperança que o seguro cubra qualquer coisa.

Agora quero deixar as seguintes questões:

Eu pago 900 euros de propina ao estado. Não tenho parque de estacionamento na minha faculdade. Ou melhor, tenho, o dos professores que podem estacionar no parque subterrâneo que só para eles existe. Porquê?

Porque é que colocam os parquímetros nestes locais com um máximo de duas horas de tiquet?

Porque é que todos os sítios em torno da faculdade onde se pode estacionar sem incomodar minimamente o trânsito estão marcados com linha amarela, mesmo a jeito dos funcionários da câmara e da companhia de reboques que ganha à comissão?

Porque é que existe um parque de estacionamento camarário aqui mesmo ao lado, sempre quase vazio, onde quem é estudante desta faculdade (ou de Letras ou Arquitectura) paga os olhos da cara mensalmente para lá poder estacionar? 900€ de propinas não chegam para assinar um tratado entre a porra das faculdades e a própria câmara?

Porque é que antes das eleições se passaram semanas sem se ver um único funcionário camarário nas imediações?

Porque é que na própria esquadra da PSP disseram que esta situação é uma palhaçada da câmara, já que a PSP que está imensas vezes nessa rua, nunca multa ninguém porque (segundo eles próprios disseram): “Vamos fazer isto a estudantes que não têm onde estacionar senão ali?”

Porque é que o sr. Rui Rio e o seu staff não ganham um bocadinho de vergonha na cara?

Porque é que o povo do Porto dá uma maioria a palhaços destes?

Porque é que a 50 metros do posto da BT me partem um vidro, entram na carrinha, e não há um agente de segurança na zona?

Porque é que os directores da minha faculdade sabem destas situações desde há muito e não mexem um palha? Ah, esperem, esta não preciso que me respondam… É que como eles têm parque subterrâneo, por eles está tudo às mil maravilhas!

Hoje vou ver se ainda faço um texto que sirva de base a um abaixo assinado que circule aqui na faculdade, e que siga para a câmara e para os directores da faculdade (e, porque não, também ao reitor da universidade…).

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