A propósito de um comentário do A.Castro (do conhecido Malaposta) no meu último post acerca do software livre (em particular das distribuições de Linux e e do uso e potencialidades do Mozilla Firefox), achei que seria útil falar um pouco sobre as vantagens de ambos os softwares, e também desmistificar um pouco alguns dos mitos que ainda pairam sobre o GNU/Linux.

Mas vamos então por partes:

Primeiro quero falar sobre as vantagens que mais sobressaem no uso de software livre. Assim, passo a citar Georg C. F. Greve , que pode ser lido(em português) no site da Ansol (Associação Nacional para o Software Livre)

No inicio dos anos 80, Richard M. Stallman foi o primeiro a formalizar esta maneira de pensar para o software sobre a forma de quatro liberdades:

1ª liberdade:
A liberdade de executar o software, para qualquer uso.
2ª liberdade:
A liberdade de estudar o funcionamento de um programa e de adaptá-lo às suas necessidades.
3ª liberdade:

A liberdade de redistribuir cópias.
4ª liberdade:
A liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas de modo que a comunidade inteira beneficie da melhoria.


Mas estas são as mais evidentes vantagens… e se perguntarem no que é que isto se traduz na prática?

Dou alguns exemplos:

http://infortech.sublimesp.com/forum/viewtopic.php?t=6172

Post do utilizador falco:
Um estudo independente realizado periodicamente pelo SANS Institute demonstra que as falhas de segurança que existem em GNU/Linux são por norma menos graves do que as que existem em window$.


A noticia em:
http://www.theregister.co.uk/2005/07/27/red_hat_security/

Os resultados do estudo em:

http://www.sans.org/top20/q2-2005update/detail.php

Só por este estudo se revela que o mito dos updates do windows, para além de não serem tão rápidos a aparecer quanto isso (e muitas vezes só pioram o sistema), não são tão eficazes na resolução de falhas de segurança como os do GNU/Linux. Em Ubuntu, os updates ao sistema são mais do que constantes e aparecem muito pouco tempo depois de ser detectada a falha. (ah, e já nem falo daquela estupidez de ter de reiniciar o windows sempre que se faz um update… só demonstra a estabilidade do sistema (ou a falta dela))


Depois, (embora ainda na mesma linha de raciocínio), denota-se uma cada vez maior capacidade de produzir software livre mais seguro e eficaz do que o software de proprietário, como pode ser visto aqui:

http://www.securityfocus.com/news/11230


Quanto ao facto do mito de que existe menos software disponível para GNU/Linux do que para Windows, nada mais falso. Na distribuição que uso (Ubuntu) existem repositórios com centenas (senão milhares) de utilitários à distância de um pequeno clique do rato. Tudo porque existem repositórios de software e um gerenciador de pacotes com um interface gráfico chamado Synaptic (isto, por exemplo, no Ubuntu. Noutras distribuições estes gerenciadores de pacotes e suas interfaces gráficas terão outros nomes) que permitem descarregar e instalar o software com apenas dois cliques. E existem distribuições de Linux como o Fedora que possuem repositórios com milhares e milhares de programas disponíveis.

Existem apenas meia dúzia de coisas que ainda não se fazem com facilidade no GNU/Linux, como por exemplo jogar os jogos mais recentes… mas isso deve-se somente ao facto das empresas que os produzem não apostarem neste mercado. No entanto, existem já alguns títulos que começam a vir disponíveis para sistemas com GNU/Linux, e os próximos anos devem ser de grande mudança porque as distribuições começam a apostar cada vez mais no mercado doméstico.

Quanto ao resto, seja navegação na internet, uso de instant messengers, trabalhos em “office” (o Ubuntu já trás o Oppenoffice.org instalado por defeito), trabalhos em html, flash, etc… nada, mas nada mesmo impede o utilizador de windows de o fazer em Linux, e com muito mais segurança, rapidez e fiabilidade.


Existe ainda uma vantagem enorme que importa referir: a comunidade GNU/Linux. Qualquer dúvida, qualquer problema que se nos depare em GNU/Linux pode e deve ser comunicado a uma das comunidade de apoio da nossa distribuição. Porquê? Porque ajuda a perceber o problema e ajuda sobretudo a que este não se reproduza noutras máquinas. E, muito provavelmente, a solução é encontrada no espaço de poucas horas… No meu caso, todas as dúvidas que tive com o Ubuntu foram resolvidas visitando o forum nacional da comunidade Ubuntu.



Agora deixo-vos com uma leitura interessante de um utilizador de windows que mudou para GNU/Linux. Ao fim de um ano decidiu fazer um “report” das suas opiniões:

http://lxer.com/module/newswire/view/47135/index.html

Este parágrafo final é elucidativo:

Closing Your Windows

I am not the only one. I also converted a former Windows user to Ubuntu Linux 4.10. She uses her computer mainly for job searches and for helping run her husband’s catering business. Since last May, she has only called for technical support four times. Her daughters thoroughly enjoy the games included, and they can complete their homework assignments. This is not a technically savvy family, although the lady of the house is experienced with office productivity applications. I’ve had no complaints at all about the shortcomings of Ubuntu.

I am not a gamer, and don’t depend on special hardware or application software. If you don’t like Pengus or Risk or some of the other games that accompany most GNU/Linux systems, I understand if you feel you’d be bored to tears. However, if you’re an office user – dare I say, knowledge worker? – like myself, mainly using the productivity and educational applications and you don’t have any Windows-specific devices, you can close your Windows for good. Having realized that I can do without Windows, I got rid of my media. So go ahead, make this the year of the penguin on your desktop!

É claro que quem usa Win há muitos anos deve ter noção de que lançar-se de cabeça no mundo do GNU/Linux vai trazer algumas complicações derivadas aos hábitos criados em Win… É para isso mesmo que existem os Live CD’s.

E o que são estes Live CD’s? Nada mais que um cd que se coloca no leitor no momento do arranque da máquina e que faz com que esta arranque com GNU/Linux sem que seja necessário instalar absolutamente nada no disco duro. Com este cd pode-se navegar na net, navegar pelos ficheiros do sistema, ouvir os mp3, ver filmes, etc etc… ou seja, serve mesmo para que qualquer um se comece a ambientar a uma distribuição de GNU/Linux. Quando quiserem saír e voltar ao windows, nada mais fácil: Reiniciar a máquina e retirar o cd. A máquina volta a arrancar o sistema operativo que lá estava instalado sem que absolutamente nada tenha sido alterado, ou sequer que existam vestígios do arranque em GNU/Linux.

Para quem quiser dar umas voltinhas em Ubuntu com estes cd’s, vão aqui:

http://www.ubuntulinux.org/download/

Podem escolher um mirror nacional (sempre se poupa umas centenas de MB de tráfego), e tirar (por exemplo) daqui um desses cd’s:
ftp://ftp.rnl.ist.utl.pt/ubuntu-releases/5.10/ubuntu-5.10-live-i386.iso






Agora queria falar um pouco sobre o Firefox em específico.

Porquê usar o Firefox e deixar encostado de vez o IE?

Deixo-vos com as seguintes leituras:

Firefox continua a crescer e reduz vantagem do IE

Mozilla Firefox considerado o produto do ano

E sobretudo estas notícias:

Mozilla: Firefox ‘as safe as a condom’

101 things that the Mozilla browser can do that IE cannot.

Factos são factos, Firefox é mais seguro que o IE

Se depois disto ainda insistirem que o IE é melhor que o Firefox, então não sei mais que dizer… As evidências são muitas. O Firefox é mais rápido, mais seguro, mais eficiente, mais flexível, em suma: é melhor.

E acho que por hoje chega. Se este enorme texto servir para que uma única pessoa se sinta mais curiosa sobre o mundo do software livre, então posso dizer que consegui o que pretendia. :)






PS: O meu obrigado aos utilizadores do Infortech United (já agora, recomendo o registo neste portal/fórum nacional) por dar a conhecer em solo nacional as notícias e artigos que usei neste post.


Este post está sujeito a correcções… aliás, agradecem-se sugestões para essas mesmas correcções de prováveis erros e imprecisões cometidas.




EDIT: Primeira correcção: Cometi um erro que não devia ter cometido, pois já me tinham explicado (no caso, o falco, que com agrado verifiquei que cá deixou um comentário mais abaixo) que o Synaptic não é um gerenciador de pacotes. Na verdade, o Synaptic não é mais que uma interface gráfica para o verdadeiro front-end (
de seu nome APT) do gestor de pacotes DEB .
Por uma questão de precisão achei por bem corrigir… espero não ter cometido mais nenhuma atrocidade nesta correcção. :)

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