Fui ontem ver uma peça de teatro à Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Cidade que se desenvolveu a um ritmo vertiginoso e que conta com uma bela casa por onde já passaram concertos de Andrew Bird e Micah P. Hinson, que conta hoje com um café concerto do fantástico Legendary Tiger Man (projecto de Paulo Furtado, dos Wray Gunn e dos ex-Tédio Boys), e que teve ontem, no seu auditório principal, a estreia de uma peça de Camilo Castelo Branco levada à cena pelo grupo Jangada-Teatro (e que por lá vai ficar durante o fim-de-semana e em mais dois dias da próxima).
Actuações excelente, adereços e cenário simples, e no entanto, completos e adequados à peça, guarda-roupa e caracterização soberbos!

Verdade seja dita, por cá se faz realmente bom teatro amador. Se são de perto e não sabem o que fazer este fim de semana, ficariam bem servidos em passar uma hora e meia a assistir à peça.

Fica aqui um excerto do blog da casa das artes:

Um dos objectivos primordiais da Jangada Teatro é dar a conhecer a literatura e os autores portugueses. Camilo Castelo Branco é um dos que tem vindo a homenagear, perpetuando a sua obra, através da efémera arte de Talma. A proposta de trabalhar a obra de Camilo é tão arrojada quanto atraente, pelas enumeras emoções que proporciona. Estas emoções têm sido partilhadas em conjunto pela e na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e pelo seu Município. Obras como as de Camilo exigem um trabalho de equipa, para que lhe seja feita a merecida justiça. A Jangada Teatro tem a sua sede no Auditório Municipal de Lousada, facto experiencial que os leva a reconhecer que só é possível fazer bem e melhor tendo a seu lado parceiros atentos e sensíveis para as questões da Cultura. A originalidade com que Camilo tratou os temas das suas obras permite-lhe a intemporalidade dos clássicos, ao mesmo tempo que deixa espaço para a companhia continuar a dar asas à sua e à nossa imaginação. Depois de “Amor de Perdição”, em que fez a adaptação do original numa versão para marionetas e actores, é agora a vez de apresentar “O Morgado de Fafe em Lisboa”. Esta é a primeira obra dramática em que Camilo cria uma personagem e um tema que vão ter direito a uma sequela. Datado de 1861, “O Morgado de Fafe em Lisboa” revê a luz em “O Morgado de Fafe Amoroso”, edição de 1865. Nesta última, Camilo dá continuação à saga do “rico e intrépido” Morgado de Fafe, ressurgindo desta vez na Foz do Porto. Cento e quarenta e cinco anos depois acreditamos que o humor de Camilo continua fresco e de boa saúde.

There are currently no comments.