Ou talvez não.

A vitória dos Democratas nas eleições para a House of Representatives de ontem (ainda pendente de uma possível recontagem no estado de Virgínia onde a vantagem dos Democratas se ficou por menos de 6000 votos em mais de 2 milhões e meio de votantes) pode significar realmente um ponto de viragem nalgumas políticas internas (tais como as referentes aos impostos e à segurança social), mas não deve representar uma viragem rápida nas políticas externas por alguns motivos:

– Primeiramente é bom que se tenha noção que relativamente a assuntos externos a diferença entre azuis e vermelhos em terras do Tio Sam não é tão acentuada quanto se tentou fazer transparecer durante a reeleição de Bush em 2004. Kerry partilhava de muitos dos pontos de vista do seu adversário, nomeadamente quanto à sua visão de futuro “democrático” para o Iraque.

– Em segundo lugar porque o recuperar de uma maioria na House of Representatives não dá tanto poder de decisão como dará poder de inquirir. E por isso que digo que as maiores diferenças resultantes destas eleições serão referentes a assuntos internos. Os Republicanos sabem que seria um erro demasiado grave, numa altura em que a taxa de aprovação do povo americano para com a administração Bush já conheceu melhores dias, contrariar um partido em estado de graça como o Democrata. Daí resultará um inevitável aproximar de pontos de vista que devem convergir em algumas medidas de foro interno aprovadas conjuntamente.

Mas qual o significado real desta eleição em termos de eleições presidenciais?

Existe um padrão que se repete na história americana:

  • Eleições para a House of Representatives a meio de um mandato presidencial costumam dar vitória à oposição, que volta a perder as presidencias seguintes.
  • Eleições para a House of Representatives no mesmo ano das presidenciais costumam dar vitória ao candidato também vencedor das presidenciais nesse mesmo ano.

Apenas a “revolução Republicana” de 94 contrariou claramente estes dados (Bush ganhou em 99 após o recuperar da maioria da House of Representatives por parte dos Republicanos)…

A interpretação que se pode dar a estes dados é que umas eleições, como estas, a meio do mandato presidencial costumam apanhar o presidente eleito no período findo do seu estado de graça… Enquanto que, como é muito mais fácil de perceber, em ano de eleições presidenciais quem vota num candidato geralmente vota também no seu partido para a House of Representatives.

Se será coincidência, ou premonição para 2009? Será que a Hillary Clinton sorriu ontem, ou ficou com o sono mais perturbado por causa da tradição e do padrão de eleições a que a história dos EUA parece não fugir, salvo excepções pontuais?

Comments ( 2 )

  1. ReplyTino_de_Rans
    Paulo Costa AKA Nuno Rogeiro
  2. ReplyPaulo Costa
    lol, só me falta ter as miniaturas que ele usava para descrever as tropas durante a primeira guerra no golfo :D