As primeiras controvérsias de 2007 não podiam ser mais hilariantes:

  • Jogadores da bola que, coitadinhos, querem continuar a ter um regime especial de isenção de impostos. Parece-me nada menos que justo. Onde é que já se viu um tipo ganhar uns milhares largos de contos e ter que pagar impostos como as outras pessoas pagam? Onde é que lhe sobra dinheiro para a gasolina? É que os Porsches “bebem” muito e não sai barato…
  • Médicos que, coitadinhos, não querem que se substitua um velhinho livro de ponto por um sistema electrónico que diga com exactidão se os pobrezinhos estiveram mesmo a trabalhar enquanto o dinheiro dos nossos impostos lhes cai nos bolsos. Sim, porque o que o estado lhes paga vem de algum lado… por isso parece-me justo que os utentes tenham possibilidade de saber se o médico que lhe marcou a consulta para o dia 30 de Dezembro de 2014 está mesmo a trabalhar no seu horário previsto ou se, por outro lado, assinou o livro de ponto 2 horas depois da hora marcada e meia hora depois estava em casa a dar consultas a 45€. Por isto tudo parece-me justo que se desculpem para se insurgir contra este método electrónico com a desculpa de que assim as condições de trabalho se degradam.
Se não fosse para chorar, até me ria.

Comments ( 16 )

  1. ReplyAnonymous
    Depende dos jogadores de futebol. É preciso ver que nem todos ganham milhares de contos. A grande maioria tem salarios de centenas de euros mas é preciso ver que a carreira de futebolista é arriscada e acaba cedo também.
  2. ReplyPaulo Costa
    Sim a carreira de futebolista é curta, mas não deixa de ser um emprego como outro qualquer. Daí ter (ou dever) que pagar os mesmo impostos que qualquer outro trabalhador. A carreira acaba cedo? Sim, é verdade, mas aos 40 anos ainda tem mais de 25 para trabalhar noutra área (ou manter-se na mesma mas noutras funções), e quando se deixa de jogar à bola não se é um inválido.
    A carreira de futebolista é menos arriscada do que a de um trolha, ou que a de um operador de uma serra-fita numa fábrica de móveis e que ganha 100 contos/mês e que paga os impostos todos ou arrisca-se a ter a casa penhorada pelo estado.
    Sinceramente é a minha opinião e não me vejo a demover a mesma.
  3. ReplyMaria Strüder
    Devias fazer um post de "Como ficar rico sem fazer um cu em 365dias"
  4. Replyrevolta dos capoes
    é verdade, treinar à semana e jogar uma vez por semana e ter mais dias de férias que qualquer outro trabalhador, não é lá grande previlégio!? Ponham os olhos na Liga Inglesa, na qual o adepto é o centro do futebol e não os jogadores.
    Aos 35 anos e com o dinheiro amealhado, podem fazer muita coisa util para a sociedade, ou será que os jogadores são uns meninos mimados que não se lhes pode tocar...
    Os senhores doutores, ao que parece vão ter de trabalhar, porque na teoria em Portugal existem medicos suficientes, mas na pratica à falta de medicos!!! porque será? talvez alguns estejam em todos os locais possiveis, menos no posto de trabalho.

    Contra os lobbies marchar marchar
  5. ReplyEspinafres
    Nota para o autor do blogue: usar 2 dedos de testa antes de blogar o que quer que seja.

    Uma infina % dos jogadores de futebol têm dinheiro para porches. Eu concordo com o fim das regalias para os jogadores de futebol pois ninguem deve estar reformado aos 35 anos. Os jogadores devem ter a responsabilidade de obter qualificações para fazer outra coisa qualquer quando acabarem a carreira de futebolista. Agora generalizar um futebolista aos jogadores do grandes só mostra insansatez.


    Os médicos, aqueles seres malvados que supostamente sugam montes de dinheiro ao estado ganham à anos do estado 70% do ordenado total, razao pela qual já houveram varias greves de que se devem lembrar. Por outro lado, o horário do médico não deve ser um horário rigido como um do professor que tem aulas às x horas. Esta medida está a fazer muitos médicos pensar se devem abandonar os hospitais públicos. Isso sim vai ser um berbicacho dos grandes.
  6. ReplyPaulo Costa
    lol, que argumentos...
    Um jogador de futebol abraça a carreira de futebolista porque quer. É um emprego como outro qualquer. Ganha mal e acaba a carreira cedo? Mas esperem lá, não existem empregos assim ao pontapé?? Agora isso é desculpa para qualquer trabalhador em regime de tarefa vir dizer que quer um regime especial de isenção de impostos? Fantástico... Poucos têm dinheiro para Porsches? Sim, acredito, no entanto basta ver os carros com que jogadores da segunda divisão B chegam aos treinos e percebe-se que se calhar não ganham assim tão mal... ou isso ou não sabem fazer contas à vida.

    Os médicos, coitadinhos...ganham tão pouco que me enchem de peninha. E agora explique-me lá o porquê de o horário de um médico não dever ser "rígido"... Se um hospital ou um centro de saúde calendariza o horário de trabalho de um médico para "entre as X e as Y horas", porque é que a simples substituição de um livro de ponto por um sistema que verifique se o médico esteve ou não às horas previstas no hospital causa tanta confusão? Porque é que diz que um horário de um médico não deve ser rígido?
    A mim aconselhou-me a ter dois dedos de testa... a si aconselho-o a ir conhecer o país onde vivemos, onde os jogadores da segunda B vão para os treinos nos seus SLK e não querem pagar impostos como qualquer outro português paga, e onde os médicos vão dar consultas ao centro de saúde entre as 3 e as 5 da tarde para passar o resto do dia com a porta de casa aberta a dar consultas a 45 ou 50€ e não querem que se saiba que afinal deviam ter estado 5 ou 6 horas no centro de saúde a dar as mesmas consultas a preço "de caixa" para o doente.
  7. Replyespinafres
    Eu também acho que os jogadores de futebol não devem ter regalias nos pagamentos dos impostos. Mas como já disse, esses jogadores de que fala são uma minoria.

    Os médicos sim ganham mal. Para um médico chegar a uma especialidade tem mais de uma década de formação em medicina: só o curso são 6 anos, mais vários anos de estudo para a especialidade, anos esses repartidos entre trabalho em hospital com horários de banco e estudo em casa para a especialidade. Por isso sim, considero que os médicos são mal pagos pelos estado. Para além, disso só recebem 70% do ordenado total, estando os 100% destinados apenas aos médicos em regime de exclusividade. Por isso é que todos os médicos com possibilidades para tal fazem clínica privada. Muitos que já têm os seus consultórios com clientela estavel, acabam por continuar a trabalhar no público apenas por interesse nos casos tipicamente hospitalares, os casos que não vao aparecer nos consultórios.

    Um médico tem contrato para fazer x horas por semana (35h salvo erro). Parte desse horário é rigido (por exemplo, tem de estar nas urgencias das x as y horas no dia tal) mas uma parte do horário é para consultas e essas obviamente são estipuladas entre o doente e o médico. Esse horário há-de mudar de semana para semana. Daí não haver o tal horário rígido. É verdade que muitos médicos baldam-se e não cumprem as 35h semanais, mas o trabalho de um médico não se coaduna com o passar o ticket à entrada às x horas e sair às y horas como querem impor.

    O futuro destas decisoes é os médicos já com carreira feita virarem-se para a clinica privada, ficando os hospitais preenchidos por médicos mais novos e mal pagos pelo estado que acabam por nao ter hipoteses de abrir os seus consultórios por concorrencia dos que sairem dos hospitais que já têm nome e clientela fixa.
  8. Replyespinafres
    e já agora quando um médico vai tratar de um doente fora de horas pois este piorou. Mete o dedinho ou não mete o dedinho na maquineta? A medicina não é como uma oficina em que os carros vão ser arranjados, num hospital quem é arranjado são pessoas...
  9. ReplyMiguel Cabral
    Eu concordo plenamente contigo Paulo.
    Acho que não devemos justificar o que está errado nuns sítios, como por exemplo os jogadores com o que está errado noutros, como é o exemplo dos médicos.
    Se o sr. espinafres tem alguma razão de queixa contra o que se passa com a saúde deve queixar-se disso e não justificar o facto dos jogadores merecerem estar isentos de impostos só porque os médicos não fazem nada!
  10. Replyespinafres
    espinafres chega :p

    Sr.Miguel Cabral para mim os caso dos jogadores e dos médicos não têm nada a haver um com o outro e não quero justificar nada de um em relação ao outro. E por uma última vez sou a favor do fim dos beneficios fiscais dos jogadores porque tb acho que este devem arranjar competencias durante a sua carreira de futebolistas para poderem continuar a trabalhar depois do fim da carreira de futebolistas. A única situação que quis apontar ao autor do blog é que ele tem uma visão destorcida do que é um futebolista.
  11. Replyespinafres
    espinafres chega :p

    Sr.Miguel Cabral para mim os caso dos jogadores e dos médicos não têm nada a haver um com o outro e não quero justificar nada de um em relação ao outro. E por uma última vez sou a favor do fim dos beneficios fiscais dos jogadores porque tb acho que este devem arranjar competencias durante a sua carreira de futebolistas para poderem continuar a trabalhar depois do fim da carreira de futebolistas. A única situação que quis apontar ao autor do blog é que ele tem uma visão destorcida do que é um futebolista.
  12. ReplyPaulo Costa
    Os médicos sim ganham mal. Para um médico chegar a uma especialidade tem mais de uma década de formação em medicina: só o curso são 6 anos, mais vários anos de estudo para a especialidade, anos esses repartidos entre trabalho em hospital com horários de banco e estudo em casa para a especialidade. Por isso sim, considero que os médicos são mal pagos pelos estado. Para além, disso só recebem 70% do ordenado total, estando os 100% destinados apenas aos médicos em regime de exclusividade. Por isso é que todos os médicos com possibilidades para tal fazem clínica privada. Muitos que já têm os seus consultórios com clientela estavel, acabam por continuar a trabalhar no público apenas por interesse nos casos tipicamente hospitalares, os casos que não vao aparecer nos consultórios.

    Os médicos não ganham mal e não se devem escudar de forma alguma nos anos de formação porque aí os engenheiros que trabalham nas câmaras a ganhar 160 contos/mês eram capazes de não achar piada, senão vejamos:
    Seguir este link:
    http://www.simedicos.pt/
    E ver a tabela salarial que lá se encontra. Um médico em início de carreira, sem qualquer regime de exclusividade, com 35 horas semanais de trabalho, ganha cerca de 260 contos. Se acha isto pouco, então é uma questão de opiniões. Eu não acho pouco, mesmo nada pouco. Porque para além dessas 35 horas semanais é-lhe permitido ganhar em duas ou 3 horas de trabalho “caseiro” mais umas belas centenas de euros.
    Um médico com 10 anos de carreira (geralmente entre os 35 e os 40 anos) ganha pelo menos 400 contos mensais, e não entro com as horas extras, ou aí teria de postar casos como o deste link:
    http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=661930&div_id=1730


    Um médico tem contrato para fazer x horas por semana (35h salvo erro). Parte desse horário é rigido (por exemplo, tem de estar nas urgencias das x as y horas no dia tal) mas uma parte do horário é para consultas e essas obviamente são estipuladas entre o doente e o médico. Esse horário há-de mudar de semana para semana. Daí não haver o tal horário rígido. É verdade que muitos médicos baldam-se e não cumprem as 35h semanais, mas o trabalho de um médico não se coaduna com o passar o ticket à entrada às x horas e sair às y horas como querem impor.

    Aí é que tocou no ponto fulcral: “verdade que muitos médicos baldam-se e não cumprem as 35h semanais”. É exactamente isso que se discute aqui. Se não fosse esse o caso, qual seria o problema dos médicos em aceitar o registo electrónico em vez do livro de ponto? É que o próprio chefe de serviço do Pedro Hispano disse que não compreendia como é que algo assim podia causar tanta confusão na cabeça de um médico. A resposta é mais que óbvia.

    O futuro destas decisoes é os médicos já com carreira feita virarem-se para a clinica privada, ficando os hospitais preenchidos por médicos mais novos e mal pagos pelo estado que acabam por nao ter hipoteses de abrir os seus consultórios por concorrencia dos que sairem dos hospitais que já têm nome e clientela fixa.

    Os médicos com carreira feita viram-se para o sector privado porque ganham ainda mais. É simples de perceber. Se estão a ganhar 500, 600 ou 700 contos no público e lhes é permitido ir para o privado ganhar 1000, é óbvio que vão para o privado. É uma questão de números. Se me dissesse que os médicos com carreira feita ganhavam 200 contos/mês sem hipótese de aumentar as receitas, aí sim eu diria que eram mal pagos… mas não são. Simplesmente podem ganhar mais ainda e viram-se para o privado que está a abarrotar de gente porque, entre outros motivos, muitos dos médicos que deviam trabalhar 35 horas semanais não o fazem e as listas de espera vão aumentando exponencialmente levando os utentes ao desespero.


    Por fim, gostava de passar uns excertos da posição tomada pelo SIM perante o assunto do Pedro Hispano, e que achei engraçados:
    1º A implementação de um sistema de controle de assiduidade tem toda a legitimidade porque previsto na lei e no pressuposto de pleno cumprimento dos procedimentos exigidos também por lei.
    ...
    2º Os médicos não têm nada que recear o controle de horários de entrada e de saída, antes pelo contrário.
    3º Os médicos, como todos os profissionais da saúde, devem ser zelosos cumpridores desses horários. Igualmente o devem ser no usufruto das compensações devidas de trabalho executado para além desses horários, quer sob a forma de folgas quer sob a forma de pagamento.


    No entanto, e mesmo depois de o afirmarem publicamente, pedem aos médicos do P.H. que não cumpram o período experimental que lhes é imposto pois acredita que se trata de uma forma de o governo dar uma ideia errada à opinião pública... haja contradição.
  13. Replyespinafres
    Tenho muito respeito pelos engenheiros da camâra e pelos vistos o seu salário tb deve dar razões de queixa mas é impossivel comparar o posto de um médico com um de um engenheiro da câmara, a começar logo pela maior responsabilidade a que está sujeito um médico, responsabilidade essa que tb é paga. (Nota: sou estudante de engenharia.)

    O máximo que um médico pode atingir é segundo a tabela 2,897euros, nem chega aos 600 contos e isto é possivel para um nºmuito restrito de médico. A grande maioria nunca chega a chefe de serviço. Logo a não ser que façam um nº exorbitante de horas de banco, não se pode considerar na minha opiniao que um médico no topo da carreira receba bem. Isto ainda por cima quando actualmente existem gestores a gerir hospitais a ganhar, esses sim, balúrdios.

    O que um médico ganha ou deixa de ganhar nas horas extra que faz não interessa a ninguem nem deve entrar em linha de consideração no facto de os médicos ganharem bem ou nao. Eu faço o que me apetecer fora do trabalho e desde que isso não prejudique o meu trabalho, ninguem tem nada com isso. Se um médico conduz um BMW não é de certeza pelo que o estado lhe paga.

    Agora em relação à maquineta: se a maquineta simplesmente contar o nºhoras que o médico passa no hospital por semana, muito bem acho justo, agora controlar a hora de entrada e saída de um médico, isso pelas razões já explicitadas acho muito mal.
  14. ReplyPaulo Costa
    Os quase 600 contos são ganhos em regime de não-exclusividade... 600 contos de ordenado é muito! Então se o médico estiver em regime de exclusividade são 750 contos/mês... um ordenado destes por 35 horas semanais de trabalho é excelente tendo em conta a economia portuguesa. Se acrescermos a este valor o que um médico pode ganhar ainda em consultas domésticas...

    E diz bem, eu também faço o que me apetecer fora do trabalho, agora se for no meu horário de trabalho a coisa muda de figura. E é isso que está aqui em causa: a quantidade de médicos que não cumpre as 35 horas semanais e que as usa para "ganhar por fora". Quem é que se lixa? Os utentes, para não variar.
    E que eu saiba a máquina faz isso mesmo, controlar as 35 horas semanais. E há pelo menos 19 médicos no Pedro Hispano que não querem que se saiba se estão lá as 35 horas ou não.
  15. Replyespinafres
    Aí não há nada a fazer são simplesmente opiniões: 500 e tal contos de salário médio para um médico não é nada de especial, no meu entender, para uma profissao que exige muitos anos de estudo, e uma responsabilidade tremenda (um médico é responsável pela vida do doente).
    Um médico em regime de exclusividade não pode ter consultórios, ou seja, só pode trabalhar no hospital.

    Em relação à máquina se assim é, parece que chegamos a um consenso.
  16. ReplyPaulo Costa
    Se assim é vamos concordar em discordar em relação aos valores (ou melhor, em relação à avaliação aos valores), e de resto parece que a conversa valeu a pena para nos entendermos. :)