O sim vai ganhar, certamente.
Abstive-me de fazer qualquer tipo de comentário sobre o aborto durante a campanha feita até agora porque não quis cair nos mesmos erros que via repetidos em inúmeros blogues (e que me desculpem os que estão nos links ali do lado, mas por lá apanhei coisas inacreditáveis). Porque na blogosfera nacional se quer fazer transparecer a ideia de que “se és de esquerda, progressista, votas sim. Se és de direita, retrógrado, votas não.”.
Lamento informar os adeptos da partidarização absurda que se fez durante o último mês e meio acerca de um assunto como o aborto, mas eu votarei “não”. E sou de esquerda, e muito.

Mas o sim vai ganhar. O sim ganha porque é utilitarista. Agora vivemos num país onde continua a incrível desinformação sobre os métodos contraceptivos, onde continua a haver muita gente com vergonha de pedir uma caixa de preservativos na farmácia (neguem e eu garanto-vos que não conhecem o país real, o país que existe fora das grandes cidades), onde o estado pede a professores para terem uma formação extra para que possam leccionar aulas de educação sexual e estes recusam com o facto de que “não nos sentimos com à vontade”. Pois claro que não, para tapar o buraco da desinformação gritante sobre sexualidade que existe na população não tem “à vontade”, mas para remediar a situação votando a favor da liberalização do aborto já têm. O célebre “desenrascanço” português no seu melhor.

E se repararam bem, na linha acima, escrevi “liberalização” e não despenalização. E porquê? Porque apenas um hipócrita não percebe que foi a liberalização e não a despenalização que foi a votos.
A nossa lei está mal, muito mal para com as mulheres. Responsabilizar uma mulher por um aborto ilegal quando muitas vezes este é feito a “mando” do marido, dos pais da jovem que engravida ou simplesmente decidido a meias entre o casal… é ridículo, sem dúvida. Há que mudar a lei. Há que despenalizar a mulher. Eu votaria sim num referendo que assim o propusesse. Mas não é isso que acontece. Despenalizando simplesmente a mulher, isso significa que o aborto fica “legal”? Não. E aqui é que acho piada à falta de discussão incrível que se viveu/vive durante estes últimos dois meses. Porque é que ninguém propõe que os médicos que realizam abortos ilegais deviam ser realmente castigados e punidos? Não são eles os responsáveis pela realização de abortos? Não me digam que o fazem para se sentirem bem com as suas consciências ou não pediriam 200 contos por aborto como pedem alguns na Avenida da Boavista no Porto. Sim, qualquer pessoa sabe onde existem esses consultórios ilegais, qualquer pessoa sabe facilmente o preço de um aborto, e ninguém aponta o dedo ao médico por este estar a fazer uma ilegalidade. Porquê? Porque é chato estar a criticar o senhor doutor e é mais fácil fazer uma cruz.

E não me venham com a história do “nenhuma mulher vai de ânimo leve fazer um aborto”. Desculpem lá, mas quantas adolescentes de 15 e 16 anos que abortam ilegalmente é que têm plena consciência do acto que estão a tomar? Em que é que este referendo vai ajudar a inverter isso? Em nada! Uma jovem de 15 anos que aborte porque decidiu ir dar a queca no pinhal com namorado e este não levou preservativo porque estava muita gente na farmácia ou na caixa do supermercado para pagar, o que o fez ter vergonha, agora pode abortar. Ninguém se vai preocupar em lhe mostrar todas as outras opções, ninguém lhe vai marcar consultas de apoio e planeamento familiar, ninguém lhe vai mostrar todas as possibilidades contraceptivas que pode usar daí para diante. Não, agora pode simplesmente abortar, é legal, por isso agora está tudo bem, assim é que é ser progressista.
Usando uma analogia “barata”, se uma estrada tem um buraco fundo em que o nosso carro bate sempre que lá passa, o que preferem: tapar o buraco ou simplesmente meter um bocado de alcatrão na berma da estrada para que se possam desviar?

É que o problema de fundo em Portugal não é o facto de o aborto ser ilegal (isto assumindo que escrevo este texto e que o “Sim” ganha mesmo, como estou à espera que aconteça).
O problema de fundo em Portugal é que saímos da iliteracia total, da obscuridade do conhecimento, de uma ditadura há 30 anos. Há apenas 30 anos atrás era quase crime falar-se publicamente de sexo. Dizer a palavra “preservativo” tinha que ser feito em surdina. Os hábitos criados não se mudam de um dia para o outro. Há que saber dar os passos certos para não dar um em falso. É preciso saber gatinhar antes de andar.

É isto que vos quero dizer: é preciso fazer muito mais do que é feito actualmente para que a nossa população, a população do país real, tenha plena consciência do que é um aborto, e mais do que isso, que tenha consciência de tudo o que pode ser feito para o evitar. Vendo isso acontecer eu votaria sim, até numa legalização e não apenas numa despenalização (mesmo que eu nunca pedisse à minha namorada/mulher para que abortasse).

O que eu vejo por esses blogues fora foram argumentos utilitaristas, nada mais. Não vejo um argumento que me faça pensar que eticamente o aborto teria uma justificação. Um único. E tenho a certeza que os haverá. E isso entristece-me bastante, ao ponto de não querer sequer escrever sobre este assunto, de deixar este texto para ser publicado apenas agora e não há umas semanas como pretendia (e não vou sequer responder em comentários) para não entrar em discussões totalmente infrutíferas e hipócritas que vejo repetidas em inúmeros blogues e fóruns que visito.

Agora, por favor não me interpretem mal quando critico os argumentos do “sim”, porque os argumentos que vejo serem usados para o “não” são, em 99% dos casos, ridículos, mesquinhos e hipócritas. Nem falo dos argumentos religiosos porque aí a coisa descambava certamente e entrava aqui numa espiral de críticas, mas ver a hipocrisia de muitos “nãos” que vejo em blogues, fóruns e campanhas fazia-me doer a alma.
Vou só deixar-vos algo que me parece mais do que relevante, e que convenientemente é ignorado por todos os defensores “deste sim” que conheço e que fogem disto como o diabo foge da cruz:

O exemplo Checo:

O gráfico representa o número de abortos por ano, na República Checa (população de 10 Milhões de habitantes, semelhante a Portugal) desde 1958.
Em 1957 o aborto foi legalizado lá, mas com restrições. Cada caso era um caso e era estudado para ver se haveria razão ou não para a realização de um aborto. Desde essa altura o número de abortos cresceu lentamente dos 50000 para os 80000 por ano. Em 1986 as restrições foram todas levantadas, ou seja, o aborto passou a ser totalmente legal, tal como este referendo em Portugal defende. Digam-me, o que se vê no gráfico? Um aumento a pique para os 115000 por ano em apenas 6 anos. Tal como cá (a partir do momento em que a nova lei entre em vigor), o aborto era totalmente comparticipado pelo estado. Mas com mais de 100000 por ano a despesa começou a tornar-se elevada, e como o crescimento parecia não ter fim o governo Chec
o fez exactamente aquilo que eu defendo no meu texto acima: o aborto deixou de ser comparticipado pelo estado em casos não clínicos (más formações do feto, etc.) e a verba que era usada nessa comparticipação passou a ser usada numa muito maior comparticipação do preço dos contraceptivos (é um bocado abusado o pagarmos cerca de 3€ por uma caixa de 3 preservativos, não é?) e na formação de professores de educação sexual. Resultado? Em 12 anos o número de abortos foi reduzido para cerca de 20000. Reparem que o aborto continua a ser totalmente legal, mas no entanto perto de 100000 por ano foram evitados com aquilo que eu já referi acima.
Estes dados foram retirados da Wikipedia, no artigo “Abortion in the Czech Republic”.

É isto que eu defendo para Portugal. Vejam o exemplo Checo e actuem cá em conformidade. Mas evitemos o erro de liberalizar totalmente o aborto antes de dar a formação sexual à população. Evitam-se números abusivos de abortos que de outra forma não seriam necessários.

______________________
Por fim, e numa questão aparte, queria só deixar a minha opinião sobre o facto de se referendar esta questão: palhaçada. Digam-me lá, daqui a 9 anos vamos voltar a referendar para ver se o “não” ganha? Ou simplesmente andamos a brincar aos políticos e a gastar milhares até que o “sim” ganhe? Porque é que o governo não teve a coragem de fazer uma lei que despenalizasse/legalizasse o aborto? Têm assim tanto medo de perder votos com esta questão? Este governo PS alinhou pela mesma linha do Guterres/Marcelo que há 9 anos fizeram uma concordata surda para a realização do primeiro referendo? Parece-me que sim. O povo deu-lhes a maioria, então que façam uso dela. Se a lei é para andar a ser votada até que o “sim” ganhe, então tenham a coragem de a aprovar em Assembleia e não façam o país gastar milhares em referendos. Pegassem nos rios de dinheiro que gastam (dos dois lados da barricada) e façam com ele campanhas de sensibilização, de informação à população. Seria sem dúvida mais útil e proveitoso. Infelizmente o medo de mexer com os votos é maior do que a preocupação com o país. Mas vindo da nossa classe de governantes, já pouco me espanta.

Comments ( 36 )

  1. ReplyAndré Lamelas
    fabuloso post zuppa. comecei a lê-lo a pensar "pronto, lá vou eu ter de fazer um comentário a dizer ao zuppa para voltar para os seus comicios do bloco" e afinal tu também votas não. e pelos motivos inteligentes! :)

    belissimo post. mesmo. um exemplo para a blogosfera.
  2. Replyz3lc
    clap clap clap...

    cumprimentos
  3. ReplyPaula
    Obviamente, já deves ter reparado que eu, e consequentemente o meu blog, sou adepta do SIM. Não sei se foi no meu que viste coisas inacreditáveis mas neste teu post eu vi uma: "Há que despenalizar a mulher." e votas não? Foste fantástico em fugir à questão que está no referendo.
    Primeiro deixa-me que te diga não são só as miúdas de 16 anos que engravidam e/ou abortam. Esse argumento revolta-me porque das duas uma: ou acham que todas as mulheres que optam por abortar são promíscuas ou então não aceitam que as mulheres, assim como os homens, possam cometer erros.
    Agora, isso que escreveste de ninguém se preocupar com as mulheres que querem abortar se o aborto for despenalizado, é (descaradamente!) falso. Isso acontece agora porque o aborto é crime. A quem é que a mulher se pode ir aconselhar agora? Com quem é que pode falar sem dizer explicitamente que uma das suas opçoes é criminosa?
    Ao contrário de ti, acredito que o NÃO vai ganhar porque (e nisso estamos de acordo) os argumentos ridiculos que são usados, convencem quem nao quer/nao consegue pensar por si. E sei, infelizmente, que tal como aconteceu em 98, nada vai mudar - a lei nao vai mudar, os abortos clandestinos vao continuar, os aconselhamentos pós-concepção não vão ser realizados (sejamos sérios! ninguém vai pedir apoio tendo em mente a realização de um crime) e quando uma mulher for a tribunal por abortar, todos vão respirar de alívio quando o juíz a condenar a uma pena de prisão suspensa. E mais: vai ser imposta a uma parte da sociedade uma moral com que não concorda.

    O que se pede no referendo é o direito à escolha, poder decidir sem a pressão de estar a cometer um crime, é dar oportunidade ás mulheres (de 16, 28 ou 50 anos) de decidir, conscientemente e com o apoio necessário que uma decisão destas deve ter, se quer ou não levar a cabo uma gravidez não planeada.
    Concordo contigo quando te referes à comparticipação do estado e à introdução de parâmetros que regulem o próprio procedimento de abortar, mas não só esses parâmetros serão discutidos e delineados quando (e se) for levantada a penalização (é impossível regulamentares um crime!) como seria inviável reunir consenso entre o eleitorado com tantas condições ao mesmo tempo.
    Na pergunta estão 3 pontos: (A) se concorda com a despenalização (B) até as 10 semanas (C) em estabelecimento de saúde autorizado.
    Se o SIM ganhar, tudo o resto - termos da comparticipação do estado, obrigatoriedade de prestar aconselhamento médico, etc - será definido no passo seguinte.
    Se o NÂO ganhar, fica tudo igual. E só espero, sinceramente, é que deixes de pensar que só as "pitas de cascais" (trademark: Waffles) é que engravidam por acidente.
  4. ReplyPaulo Costa
    Eu vou responder ao teu comentário porque te conheço pessoalmente e poque sei que és uma das mais ferrenhas adeptas do sim.
    Em primeiro lugar: eu não fugi a questão nenhuma. Se tivesses tido mais atenção ao que escrevi verias que sou a favor da aprovação de uma lei que despenalize a mulher. Agora, não a disfarcem sob a forma de um referendo onde o que vai a jogo não é só isso.

    Em segundo lugar, ao liberalizar agora e partir daí para adoptar medidas de aconselhamento, etc etc, estariamos a seguir exactamente o mesmo erro que a República Checa cometeu. Parece-me, sinceramente, que não leste o meu post completo ou não terias escrito isso. O procedimento a seguir é necessariamente o contrário do que tu defendes.

    Quanto à tua última frase, desculpa lá. mas é exactamente essa arrogância que abomino nos mais fervorosos adeptos do sim. Onde raio é que tu consegues descobrir que o meu pensamento é que "apenas as pitas de cascais" é que engravidam por acidente? Diz-me sinceramente. Não gosto que me tomem por burro e, desculpa que te diga, foi isso que tentaste fazer de mim com essa frase mesmo depois do post que fiz mostrar que tenho uma visão (espero eu) um boacdinho mais ampla de que a redução a que me tentas catalogar.
  5. ReplyPaulo Costa
    Ah, e se o Não ganhar as coisas ficam iguais apenas e só se se continuar a negar o problema de fundo que existe em Portugal. Se se continuar sem aulas de educação sexual, sem comparticipação do estado em contraceptivos, sem campanhas reais de informação e sensibilização, que por acaso (e já que pareste ter saltado toda essa parte do meu post) são exactamente as coisas que defendo prioritariamente para Portugal.

    Esses é que são os primeiros passos racionais e conscientes para um Sim com sentido e responsabilidade.
  6. ReplyPaula
    Não, não tentei catalogar-te e muito menos tentei fazer de ti burro. Tal como dizes no inicio, conheces-me pessoalmente e bem para saber que nao faria isso.
    Apenas peguei no exemplo que dás no teu post. Talvez por estar farta de ver exemplos desses, é que for once gostava que alguem que pegasse neste tema (seriamente, como tu o fizeste), resistisse à tentaçao de usar esse tipo de ilustração.

    Quanto ao resto, não vou refutar aqui. Já deixei a minha posição e, porque a escrita tem limitações, não quero correr o risco de ser mal interpretada de novo. Qualquer dia falamos.

    Nota: Entretanto tu acrescentaste mais um comentario. Permite-me que te corrija: existe comparticipação nos contraceptivos - a pílula, por exemplo, é dada gratuitamente nos centros de saúde, e nao estou a falar de uma. Estou a falar de caixas que duram 3 meses.
  7. ReplyMiguel Cabral
    Se eu tivesse paciência, juro que lia o post :)

    Abraço
  8. ReplyAnonymous
    Não pá, daqui a 8 anos teremos mais 15 mulheres mortas devido a abortos ilegais, além das 1400 que aparecem irreversivelmente inferteis nos hospitais públicos devido a abortos (faltam as que não aparecem). Merda de país este. Os argumentos que apresentas são os mesmos que por exemplos o Dr. César das Neves utiliza para defender a proibição do aborto em caso de violação e em caso de deficiência "da criança". Nenhuma mulher deixa de abortar por ser proibido ou sequer por correr risco de vida. Por tua causa, há mulheres que vão MORRER. Com o teu voto, não vais salvar nenhum feto porque as mulheres farão o aborto seja legal ou ilegal. Espero que não consigas dormir bem. Mais: só espero que um dia obrigues uma filha tua a ter um filho contra a vontade dela; e se ela abortar, luta para que ela vá presa. O teu voto é fascista porque fazes o jogo deles. Nunca vi ninguém tão superficial. "Abstive-me de fazer qualquer comentário"?!?! Como se alguém estivesse à espera que vossa excelência se pronunciasse - toma consciência da tua insignificância. Se queres despenalizar a mulher, sê inteligente!: começa pelas 10 semanas. Tu, se estiveres a morrer de sede, recusas um copo de água porque precisas de dois? É porque és burro. Lê e apaga porque não tens tomates para deixar isto on-line (mas eu arranjo maneira de passar isto aos teus amigos).
    Pedro Albarraque, Guimarães
  9. ReplyPaulo Costa
    Aí é que te enganas... eu faço questão que o teu comentário fique aqui bem escarrapachado, nem que seja para que se perca a ideia que uma troca de ideias saudáveis entre adeptos do "sim" e do "não" cai por terra com os argumentos do "não". O teu comentário, para além de ter acabado de forma precoce com qualquer tipo de troca de conhecimentos positiva foi também prova que te limitaste a debitar as ideias impingidas à força por algumas das "forças" do "sim" e que nem te deste ao trabalho de ler o que escrevi no post.
    E é por isso que a minha participação na caixa de comentários, tal como prometido no post, fica por aqui.

    Mas pronto, já ninguém me chamava fascista por aqui há algum tempo, deu para matar saudades. Ah, e gostei especialmente da parte do "arranjo maneira de passar isto aos teus amigos". lol
  10. ReplyJRP
    Caro Paulo Costa,
    Não nos conhecemos pessoalmente, mas de há algum tempo que sou leitor habitual deste blog.
    Achei o texto excelente. Mais do que isso, assino por baixo.
    Julgo que o teu "não", o meu "não", e muitos outros "não" não podem nem devem ficar pelo referendo.
    Há muito a fazer após esta discussão e não podemos ficar à espera que daqui por 10 anos novo referendo se faça. É preciso agir, e obrigar a maioria a agir, quer através das soluções que foste apontando, quer de outras igualmente de apoio às mulheres e aos seus filhos.
    Não sei se sou de esquerda. Não sei se sou de direita. Sou pela liberdade e pela solidariedade. E voto "não", porque não gostando desta lei, gosto menos daquela que o sim à pergunta dará origem.
  11. ReplyAnonymous
    Eu voto SIM só para acabar com esta palhaçada de condenarem as mulheres que abortam. Tão simples como isto!

    Quanto à problemática da Rep. Checa (e de todas as restantes repúblicas checas por esse mundo fora) um concelho, meu: Endireita a piça; não queiras endireitar o mundo...
  12. ReplyHugo
    Eu vou votar sim.
    Sei que não te vou fazer mudar de ideias em relação ao voto, mas quero deixar algumas ideias.

    Não percebo a conversa à volta do "despenalizar sim / liberalizar não".
    O aborto já está liberalizado. Nenhuma mulher pode ser impedida de o fazer. Mas quem tem dinheiro, vai a Espanha. Quem não tem dinheiro, arrisca a morte. Acho esta situação indecente.

    A única coisa que vejo a ser perguntada no referendo, é se concordo com a despenalização. E eu digo sim, porque não acho que um aborto, nos prazos previstos na lei, deva ser considerado um crime, nem que se devam julgar mulheres por isso. Não me interessa que tenha havido poucos casos concretos ou que os juizes fechem os olhos à lei. É uma lei errada, acho que deve mudar.

    Não acredito que uma mulher aborte só porque lhe apetece. Acredito que pense muito bem antes de tomar essa decisão. Obviamente que imagino que também haja quem não seja assim, que possa haver quem aborte só porque sim. Mas o que pessoas assim precisam é de mais educação. Não precisam de um país que as faça arriscar a morte de cada vez que tentam abortar.

    Não acredito que o número de abortos dispare. Não mais do que aumentará, como consequência do fim do aborto clandestino. Não acredito que o aborto passe a ser usado como método anti concepcional pela generalidade das pessoas.

    Como não sou mulher, nunca irei abortar. Mas se a minha opinião interessasse num qualquer caso especifico, provavelmente tentaria sempre evitar que o aborto fosse uma solução. Mas não é isso que se pergunta no referendo. E eu estou longe de achar que deva impôr a minha moral aos outros. Mulheres julgadas por abortos, não! Mulheres a arriscar a vida para abortar, não!

    Acho curioso o pensamento da opinião publica checa, citada no artigo da wikipedia que referiste... parece-me que não alinham contigo!

    The public in the Czech Republic generally supports the legality of abortion. This was confirmed in a May 2005 Euro RSCG/TNS Sofres poll which examined attitutes toward abortion in 10 European countries, asking polltakers whether they agreed with the statement, "If a a woman doesn't want children, she should be allowed to have an abortion". 66% of Czechs replied "very much", 15% replied "a little", 8% replied "not really", and replied 10% "not at all". Support for the availability of abortion in the Czech Republic, at 81%, was the highest out of all the nations featured in the poll.

    Espero que a tua previsão de vitória do SIM de confirme. E não te esqueças de ir votar dia 11, porque é preferivel à abstenção.

    Ai que escrevi tanto não no meu texto... eu voto SIM!...
  13. ReplyPaulo Costa
    Ó Hugo, fizeste-me voltar a escrever aqui porque não percebi uma parte do teu comentário e achei que valia a pena esclarecer. É sobre a parte em que referes o artigo da Wiki. Se reparares, no meu texto, refiro lá bem explicitamente que o aborto é legal na R.C. desde 1956. É claro que num país onde existem aulas de educação sexual desde 1992 mentalidade evolui. E é exactamente isso que defendo. E é por isso que não percebo porque dizes que não alinham comigo, porque eu defendo exactamente os mesmos princípios que a república checa defende desde 92 e com os resultados que estão à vista (desastre completo desde que liberalizaram por completo até ao momento em que corrigiram para um meio termo muito mais sensato).
    E sim, vou votar, sou completamente contra a abstenção (ao contrário dos 60% de portugueses que no último referendo para o aborto preferiram passar o domingo na praia ou a passear.) ;)
  14. ReplyPonto do Rectângulo
    Super interessante... Como foi o unico blog que vi o assunto entre post e comentários, quer pró, quer contra, ser abordado de uma forma inteligente é aqui que vou deixar a minha opinião mas amanha pq agora tou mesmo sem tempo...
    Abraço a todos
  15. ReplyHugo
    Fico com a sensação de que votarias sim, se achasses que a educação sexual em Portugal estivesse suficientemente evoluida de acordo com o teu critério. Pelos vistos, achas que na Rep. Checa está. Não sei como determinarias quando é que as mulheres portuguesas estariam bem educadas.

    Eu acho que as pessoas sabem mais do que tu julgas, não acredito na repetição do sobe e desce das estatísticas checas.

    E se tivesse que escolher entre 1) a repetição do que se passou na Rep. Checa desde os anos 80 até hoje [com o sobe e desce nas estatisticas, fruto de educação sexual escassa], ou 2) a manutenção da actual lei e do aborto clandestino, escolhia 1). Tu escolhes 2).

    Eu sei que na Rep. Checa o aborto é legal, é assim que aqui deve ser também aqui. É por isso que digo que os checos não alinham contigo. Tu achas que o aborto a pedido não deve ser legalizado. Eu e a maioria dos checos achamos que sim.
  16. ReplyB.
    Repetindo o que todos dizem, e nunca é demais, ninguém no seu juízo perfeito defende o aborto como método contraceptivo e ninguém, nas mesmas condições, o faz de ânimo leve. Por este motvio não percebo a argumentação. Não consigo.

    Os teus argumentos, como 99% dos argumentos do Não (sim, porque segundo a tua opinião, nenhum dos argumentos do SIM é viável e só 1% dos NÃO é que o é!), baseiam em consequências das futuras hipotéticas alterações da lei. Do que se pode falar com certeza é do que se passa hoje com a lei como está!

    O que nós temos é uma lei ridícula que vai contra a consciência da grande maioria (Todos nós, não queremos mulheres presa porque, por desespero, abortaram) e que por isso - felizmente - não é aplicada. Então porque mantê-la?

    O que nós temos são os abortos feitos em vãos de escada, e as consequências na saúde publica deles.

    Para mim, o facto da pergunta,como alguêm já disse, não incluir as condições especificas do contexto da lei não é limitativo e ainda bem que não o é! Essa é a tarefa do legislador! Nós, enquanto Povo, somos consultados sobre a vontade de alterar a lei actual. Do ponto de vista da constituição é assim que deve ser! Se não concordamos com a constituição é outra questão completamente desvinculada da pergunta em si.

    O facto da Republica Checa já ter passado por uma situação semelhante, na minha opinião, só ajuda a que o nosso caso não tenha que ter o mesmo. A legislação criada não tem que ser a mesma. E se a nossa classe politica aderir ao problema (de forma completamente diferente do que fez nos últimos 8 anos em que nenhuma politica de educação sexual foi sequer seriamente estudada) podemos ter reformas a sustentar a lei.

    Falarmos dos exemplos dos jovens de 15anos que, por inocência/falta de informação/inexperiência não tomam as devidas precauções e, acabam com um problema entre mãos da forma, convenientemente, ligeira e despretensiosa com que o NÃO o faz é reduzir as coisas.
  17. ReplyAATorres
    Bom texto,a tua opinião é bastante constructiva.

    Sinceramente acho que o referendo fica marcado por decisões mal informadas por parte dos votantes. Uns porque levam um "Sim" ou um "Não" como um clube de futebol que devem apoiar até à morte, sem querer ouvir o que o outro tem para dizer... um pouco à imagem dos apoiantes dos partidos políticos, não se tornasse esta uma discussão política.

    Eu penso que o aborto é inevitável. Vai acontecer e se acontecer é melhor que se aborte em "segurança". Portanto o que se passa é mais escolher um "sim" clandestino e com pouca segurança (disfarçado de "não") ou um "sim" que dá liberdade (total) à mulher. Ora... vem muita gente dizer "ah e tal... mas nós confiamos nas mulheres"... e não é bem assim. Cada caso é um caso e que o digam os médicos... há gente para tudo, e concerteza há mulheres capazes de abortar por razões absurdas. A liberdade só vem com responsabilidade e essa responsabilidade só vem com total conhecimento da questão, com conhecimento da problemática do aborto. E é nisso que eu acho que o teu comentário é excelente principalmente porque se apoia no facto de muita gente está mal informada neste país. Tanto gente do "SIM" como gente do "NÃO".

    E sinceramente acho um pouco frio que alguém consiga dizer um "Não" ou um "Sim" sem pestanejar a uma questão como esta. É preciso avaliar as "vantagens e desvantagens" de cada resposta...

    Mas o que mete nojo no meio disto tudo é a mania que têm de fazer disto uma questão polílita. A única questão politica nisto é que a questão tem por base a LIBERDADE e a CONSCIENCIA... e é preciso meterem na cabeça que a liberdade só vem com total consciência. A liberdade sem responsabilidade só dá em... merda!
  18. ReplyMiguel Cabral
    Eu gostei do pormenor do "(e não vou sequer responder em comentários)".
    Só duas palavrinhas acerca do post, uma vez que já tive paciência.
    É assim, eu sou a favor do sim, mas não do sim que está a ser votado no referendo.
    Acho que devia ser um sim muito mais contido, assim querem passar do nada, ou quase nada, ao tudo! Ou seja, o que agora é proibido vai passar a ser comparticipado pelo estado. Ou seja, vamos andar todos a pagar os erros uns dos outros. Pelos vistos, e pelo que já li em cima um aborto, parte principalmente de um erro cometido por duas pessoas, sim duas, porque uma sozinha não consegue. agora, será justo o estado comparticipar um acto que só é feito por que alguém errou??
    Eu sou a favor do sim, tal como já disse, mas acho que os abortos uma vez livres não deviam ser acessíveis, só em casos bem estudados é que devia haver a ajuda do estado. Tal como nas doenças, ás vezes é um risco grande para uma mulher ter um filho. Quem quisesse fazer um aborto, sim, pode fazê-lo, mas vai pagar caro. Isto faz com que, principalmente as miúdas de 15/16 anos tenham mais cuidado antes de pensar que o aborto é uma solução ou um método contraceptivo.
    Se as coisas fossem feitas desta maneira, o estado podia muito bem gastar o apoio das comparticipações nas campanhas informativas acerca da contracepção.
    Sem mais de momento...
  19. Replyjeremix
    Quem "quer" abortar, não vai deixar de o fazer por ser ilegal, ou vai pagar um balúrdio a algum médico/clínica para fazer isso, ou vai fazer isso de forma económica na cave de algum médico meio senil, ou vai para outro país onde seja legal, ou vai abortar ao estilo "made in home" com comprimidos comprados na net, ou do género.

    Provavelmente o que se passou na Rep.Checa foi que o nº de abortos se manteve +/- idêntico, a unica diferença é que passaram aser contabilizados.

    Como a maior parte das pessoas, não sou ,especialmente, a favor do aborto, mas totalmente contra haver mulheres a serem julgadas e condenadas a penas de prisão por isso.

    Para mim quem vota não, só está a enfiar a cabeça na areia, para não ver a realidade.

    Eu voto SIM!
  20. ReplyDaniel
    Caro Paulo,

    acho interessante a maneira como tentas sustentar as tuas opinioes com dados. No entanto, acho que a analise que fizeste com relacao a republica checa carece de um contexto historico. Eu nao procurei data sobre o assunto mas estou convencido de que o "andamento do grafico" tem muito a ver com a recente historia deste pais. O facto de que o pico e atingido em 89 nao pode deixar de ser coincidencia. Como sabes, esse foi o ano da queda do muro de Berlim. Do que eu sei de como era a vida nos paises de leste antes da queda do muro, acho que a questao de comprar preservativos nem se punha (os proprios bens essencias ja eram escassos). O escalar ate ao pico do numero de abortos logo a seguir a legalizacao nao refletira necessariamente que o numero de abortos em geral aumentou, mas sim que o numero de abortos, ate entao clandestinos, passou a entrar nas estatisticas. O declinio do numero de abortos tera sido uma consequencia natural da liberdade (ja tinham acesso a informacao e comprar preservativos!). A solucao de Portugal passa pela educacao. Eventualmente as escolas irao passar a ter nos seus curriculos programas serios de educacao sexual. Ate entao a solucao passa pela educacao dada em casa. Mas por muita informacao que haja ainda existirao pessoas que tem uma gravidez indesejavel e que querem abortar. Isso e uma decisao que cada deve tomar com a sua consciencia e acredito sinceramente que para a maioria essa nunca e nem nunca sera um decisao facil de tomar. Criminalizar o aborto leva realmente a que algumas pessoas nao abortem por medo das consequencias. O que tambem e preciso perguntar e quais sao as consequencias de uma crianca ter pais que nao a querem. A musica de Gabriel, o pensador: "patria que me pariu" reflecte, num contexto radical, o que pode acontecer a uma crianca indesejada.

    Quanto a historia do referendo eu acho que o que vai a referendo em termos practicos e se estamos dispostos a pagar o aborto das pessoas que nao podem pagar em Espanha e a das que podem. Os abortos vao continuar. Paises com programas bem estabelecidos de esclarecimento sexual nao evitam que continuem a haver abortos. Os abortos vao continuar. A questao em Portugal e quem e que ira passar a paga-los. Se o sim vencer pagam os portugueses e a vida de muitas mulheres sera salva. Se o nao vencer as mulheres continuarao a morrer. A questao e se somos altruistas o suficiente para pagar o salvamento da vida de uma mulher (independentemente de se concordar com o seu acto ou nao). A verdade e que eu prefiro pagar para que esta mulher viva a pagar para que ela esteja numa cadeia.

    PS - Estou a escrever com um teclado ingles e por isso nao posso por acentos...
  21. ReplyAnäk
    Meu caro, conquanto tenhas muita razão em relação a muita coisa, não é a votar não que vais conseguir o que falta em Portugal. Parece-me um pouco utópico. Senão vejamos, desde o último referendo são os mesmos que votaram não (maioritariamente de conservadores de direita, é verdade) que têm boicotado a implementação da educação sexual nas escolas. E eu sei do que falo.
    Os professores não estão assim tão contra; havendo projectos bem feitos e fundamentados eles colaboram. E muito. E nisto também sei do que falo.
    E agora diz-me: se o método contraceptivo falhar - e usando é porque não se pretende engravidar -porque raio é que uma pessoa só pode ter como opções prosseguir uma gravidez que não se deseja ou submeter-se a um aborto clandestino com todos os riscos inerentes? Pois...
  22. ReplyBLOQUISTA
    Tens uma opinião bem formada e concordo contigo em vários aspectos,mas no principal não estou de acordo,eu vou votar SIM!O teu não vai fazer com que continue tudo igual,ou seja MAU! Não é com o teu não que os jovens vão deixar de ter vergonha de ir à farmacia comprar preservativos ou a pílula, não é com o teu não que escolas vão passar a leccionar a disciplina de educação sexual, e nem é com o teu não que o nível de literacia em portugal vai aumentar! O governo não vai fazer nada por isso,e as mulheres continuarão a ser vitimas,as únicas vítimas desta POUCA VERGONHA...por isso eu voto SIM.
  23. ReplyAnonymous
    Esta comparação com a República Checa é das coisas que revela mais ignorância que tenho visto neste debate. As variações do número de aborto reflectidas no gráfico têm a ver com as condições económicas da população, bastando comparar com a evolução do PIB per capita. É preciso ser mesmo muito burro... É um dos casos mais estudados... Que anormalidade
    João Diogo
  24. ReplyJP
    o argumento de que as mulheres são levianas e irresponsáveis não pega... para gajo de esquerda devias ver mais além.... não podes é condenar alguém por ter uma visão da vida diferente da tua...
  25. Replyverdades
    Nao percebo como se pode despenaliazr a mulher sem votar "SIM", devo ser muito burro, porque ate o professor "Martelo" o disse, mas nunca ninguem me conseguiu explicar ou fazer compreender.
    Desculpem a minha burrice mas como nao quero ver mulheres condenadas e humilhadas em tribunal so vejo um caminho votar SIM.
  26. ReplyMiguel...
    Condenadas e humilhadas em tribunal... Eu não gosto de ver homicidas a serem humilhados em tribunal! (Não não estou a comparar o aborto a homicidio foi apenas um exemplo). Vamos por partes de para já o aborto ainda é ilegal... É não é? Independentemente do que vier a acontecer uma mulher que aborte hoje é criminosa certo? Então tem de ser julgada certo? Portanto não é mais humilhante ser julgada por aborto do que por qualquer outro crime, e não estamos a pensar despenalizar esses tambêm pois não?
    Questão 2 alguêm me vai explicar qual é a diferença entre despenalizar e legazilar ou liberar.
    Questão 3, ninguêm aborta de animo leve..eh pah espero que não caso isso se torne legal mas... De animo leve ou não passa a ser uma decisão levada a cabo apenas por ela mas e se sou eu o pai e quero o filho? Ela tem direito de optar porquê o bébé quando nascer é mais dela que eu? Se passa a ser uma questão de conscencia e se pressupões que ninguem o faz de animo leve entao podemos supor que alguêm que mate outra pessoa e não agiu de animo leve não deve ser condenada... Correndo o risco de ser chamado de fascista, neo-nazi e deixa cá ver "capitalista retrogrado" pera lá capitalista? Mas continuam a confundir politica com esta questão não é? Tempo de antena e tudo parecem eleições... E misturam religiões e tudo não é? Sim sim eu depois de ver aquela senhora do 4Pous naqueles 15 minutos antes dos Morangos com Açucar fiquei meio convencido a votar neles nas proximas eleitorais tambêm... Não me misturem temas de consciencia com questões partidarias ou religiosas por favor. O alentejo poderoso feudo comunista populaçao envelhecida e pouco instruida veêm o camarada Jeronimo na TV a apoiar a legalização do aborto, ooops despenalização queria eu dizer, na altura de por a cruzinha aposto que apesar de na consciencia da esmagadora maioria tar um não vão votar sim apenas e só porque o Sr.Jeronimo secretario geral do seu partido disse que era sim... Que as pessoas se manifestem sim mas não em nome do partido por favor! Bem como eu ia dizendo correndo o risco de ser apelidado de Correndo o risco de ser chamado de fascista, neo-nazi e deixa cá ver "capitalista retrogrado" eu voto NÃo mas um grande NÃO. E fico mais uma vez desiludido com os meus concidadãos quando leio isto num blog:
    "Fiquei espantado com o numero de pessoas apoiantes do não ainda por cima jovens como eu" Por favor lá por ser jovem tenho que votar SIM é? Entramos numa de politica fashion? Votamos SIM, andamos com t-shirts do Che made in Filipinas por grandes empresas americanas, manifestamos o odio a administração Bush e declaramos o nosso odio a Israel...


    P.S- antes que o numero de insultos suba em flecha eu nao sou a favor da administração Bush!
  27. ReplyRomão
    E que tal um pouco mais de responsabilidade? É que independentemente de ganhar o sim ou o não, continuamos a não ter informação e educação sexual. Quantos jovens fazem planeamento familiar? Parece-me que enquanto este tipo de situações (entre outras) não forem acauteladas, o aborto será sempre um assunto mal resolvido. Eu voto não, por estes e outros motivos, mas vivemos em democracia e aceito opiniões contrárias. Irrita-me é que uma parte tente convencer a outra do contrário, num assunto que diz respeito à consciência de cada um.

    Abraços!
  28. ReplyRicardo Jorge
    Temos a mesma opinião, apenas faltou dizer que para além dos excesso do lado do 'não', há tambem excesso do lado do 'sim'. Quanto à religião, o problema não é da religião, mas sim dalgumas pessoas que se pensam ser Deus em terra de homens. Peço apenas para nunca se cair na generalização.
    Há muito banana no 'sim' e no 'não'.
    No ultimo referendo votaria 'sim', mas perdeu, e fiquei na esperança que as promessa do não fossem cumpridas, mas tudo o que foi dito foi para ganhar votos, tal como agora.

    Quanto ao meu voto estou ainda indeciso... mas não são os politicos que me tirarão a indecisão...

    Por fim, é pena que no seculo XXI, a mulher ainda tenha razões fortes para abortar...
  29. ReplyTino_de_Rans
    Li até "Voto Não".
  30. ReplyTino_de_Rans
    Li até "Voto Não".
  31. ReplyTino_de_Rans
    Esta merda anda-se a passar...
  32. Replyfrunobulax
    No outro dia o Vasco Pulido Valente disse na televisão que um dos males de Portugal é que é um país de imitação. Qualquer pessoa que tente aplicar políticas de outro país a Portugal está condenado ao fracasso e a não perceber o problema...
    Caro Paulo, eu também podia trazer-te as estatísticas da Itália que dizem que o número de abortos baixou desde que se despenalizou o aborto, e que o governo é obrigado a seguir os números e a fiscalizar (por assim dizer) esta medida particular - até parece um país a sério, não é?
    abraços
  33. ReplyWaflles
    Não só "Pitas" e não só de "cascais" ...
    :)
  34. ReplyAnonymous
    Este gráfico remete para uma máxima sobre estatística: " A estatística é como o biquini: mostra coisas importantes, mas esconde o que é fundamental".
  35. ReplyTu(g)areg Porteño
    Fantástico post! Do melhor que já vi aí pela net e devo dizer que votaria sim. Digo votaria porque estou na Argentina e não é permitido votar nas embaixadas em casos como o de um referendo. Tenho exactamente a tua visão da coisa. Só se diferencia na posição da cruz. Também acho que o povo não está instruido para ter um assunto como o Aborto livre nas suas mãos. Concordo quando dizes que as pessoas geralmente não têm consciência da realidade fora das grandes cidades. Assino por baixo quando falas na ignorância, no desconhecimento, na falta de informação. Apoio totalmente o acesso livre e gratuito de preservativos e pilulas! Mais! Devia ser estendido a outros pontos de venda. Preservativos já se vão vendo mas pilulas nem por isso. E acho que hoje ainda é muito complicado para muita gente ir a uma farmácia pedir uma caixa de preservativos ou uma pílula. Mais do que ser um método contraceptivo é o anunciar público de que se tem uma vida sexual activa. E se no Porto ou Lisboa isso passa despercebido, em Nossa Senhora das Ranholas de Baixo, terra onde só há uma farmácia, pode ser confrangedor. Porque neste tipo de terras, o farmaceutico é alguém importante e que conhece toda a gente. E as pessoas sentem-se intimidadas por isso mesmo (vou pedir preservativos ao gajo e ele conta aos meus pais no sábado lá no café central). Acho que antes de liberalizar o aborto havia um trabalho de anos pela frente. Havia que arrancar com a educação sexual obrigatória nas escolas, havia que criar campanhas de verdadeira informação (não estas amostras de campanha que se vão fazendo porque não há fundos suficientes para elas), havia que se facilitar o acesso a esses outros meios e havia que fazer tanto mas tanto para dar todo o conhecimento às pessoas e retirar todos os tabus sobre estes assuntos... Havia e devia ter sido feito! Isto porque desde 98 que já se sabia que mais tarde viria novo referendo. Era uma questão de tempo! Então porque não começaram logo aí a preparar a liberalização do aborto, para que um dia no caso de se confirmar a mesma, o país e a sua população tivesse uma estrutura sólida criada que lhes desse sustento e informação nestes assuntos? Não se fez porque nós não somos assim. Não faz parte da nossa cultura prepararmo-nos para as coisas. Não faz parte de ninguém pensar antes das coisas. Infelizmente, deve-se dizer. Mas votaria sim. E votaria sim porquê? Porque sou a favor e mesmo que não seja a altura certa não me parece que tivesse outro remédio. Um novo não seria motivo para não se falar tão cedo de Aborto (e não estou a falar em 8 anos). Um novo não arrumaria o sim por tempo longo e indeterminado. E o pior é que quando esse tempo tivesse passado, nada havia sido feito e nenhuma estrutura estaria criada. Estaria tudo igual como está hoje. Um sim obriga as entidades competentes a agir. A mover-se. Claro que não se deve mandar construir uma casa sem antes ver se temos o dinheiro para pagar o emprestimo. Mas neste caso não me parece que exista outra solução. E a situação até pode descambar inicialmente. Mas será certamente corrigida no caminho. E entretanto na relação entre prós e contras, devo dizer que no final de alguns anos terá valido a pena. Claro que era melhor se as estruturas estivessem criadas de antemão. Mas não estando, ainda assim é melhor legalizar e corrigir a trajectoria depois do que não legalizar nunca. Digo eu...

    P.S.- Não concordo quando dizes que este governo não teve tomates ao aprovar a lei sem consultar a população. O referendo de 98 não lhes deu outra oportunidade. Daí em diante seriam acusados de irem contra uma vontade expressa do povo e votada em local próprio. O erro aqui foi de Guterres (penso que o referendo foi durante a Maioria Absoluta, se não estou em erro). Não condeno o governo de Socrates. Acho que não tinham remédio. Condeno o governo de Guterres (se realmente era o da Maioria Absoluta).

    P.S.2- Houve um tal de anónimo que escreveu logo nos primeiros comentários uma opinião que tem tanto de vergonha como de informação. Não gosto de fascistas como não gosto de comunas. Não andam longe uns dos outros. Aquele radicalismo ali em cima fez-me impressão. Irritou-me porque é este tipo de gente que achando que está a fazer campanha em prol do sim está na verdade a dar motivos para se votar não. Irrita-me este discurso de extrema esquerda sem pés nem cabeça de líricos que gritam que têm direito a opinião mas não reconhecem o direito dos outros à opinião. Que dizem O SIM É MUITO MELHOR E ATE DA A LIBERDADE DE ESCOLHA! Então a liberdade de escolha é só para o aborto? Não tenho liberdade de escolha no meu voto? Por Deus... faz um favor ao Sim e tenta não falar. Pode ser? E epá... agora aproveita e vai falar com os meus amigos tb! Diz que sou fascista! Diz que quero que o Salazar volte! Não te esqueças de dizer também que dizes isso pura e simplesmente porque tenho uma opinião diferente da tua. Pode ser?
  36. ReplyRogério Coelho
    O referendo ao aborto

    O uso do poder da imagem!!!

    Vivemos na sociedade do visual, da arte de saber chamar a atenção pelas imagens e neste referendo, tal como em tudo em que se pretenda captar a atenção de um público para consumir uma coisa ou uma ideia, esse poder que tem a imagem é usado até há exaustão.
    Nesta campanha de ambos os lados, não se descurou esse poder e é usado a todos os momentos, seja em cartazes, seja na televisão, seja neste cada vez mais poderoso mundo da internet, que está repleta de imagens sobre o assunto. Como disse e repito de ambos os lados, quer do sim, quer do não, as imagens multiplicam-se numa tentativa quase que desesperada para convencer o “Zé povinho”. Mas pergunto-me eu, até que ponto esta forma de espectáculo visual que tenta impingir nos outros uma ideia repleta de valores e decisões tão pessoais, não será ao mesmo tempo uma imoralidade de quem tanto defende a moralidade?
    Não deveria antes, este referendo ser uma questão para cada qual tentar obter uma resposta por si só? Tentando informar-se o máximo possível é claro, coisa que hoje em dia está ao alcance de qualquer um.
    Haverá a necessidade de partidos e movimentos que se dizem cívicos, quer do sim, quer do não, gastar milhares de euros numa campanha que pouco nos informa?
    Talvez pretendam antes nos influenciar do que informar, basta olhar para qualquer cartaz desses movimentos ditos cívicos, para ver que a mensagem que se tenta transmitir é de influencia de ideias e valores e não de informação sobre o que realmente está em causa.
    Quer se queira quer não, estamos a falar dum flagelo da sociedade.
    Não seria melhor usar pelo lado do “não” todo o dinheiro gasto em publicidade nesta campanha, para apoiarem as tais mães que dizem e tanta questão fazem em afirmar que têm apoiado até agora?
    Pelo lado do “sim” não seria melhor apoiarem financeiramente as deslocações a Espanha, para que aí quem quiser abortar o faça em condições de segurança?
    Valores muito altos têm de estar por detrás de quem apoia estas campanhas milionárias, só assim se percebe o desespero e a necessidade de recorrer a publicidade o mais imoral possível, para defender ambas as ideias.
    Não estará o “referendo da moralidade” repleto de interesses económicos? Deixo a questão para vocês.........

    ASS: Rogério Coelho
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