Não sei explicar o porquê, mas tenho encontrado em fóruns um número considerável de gente defensora do estado novo. Gente que me dizia que no tempo da outra senhora é que se vivia bem, que havia pão na mesa, que se viva num país rico já eu conhecia, agora gente que me diz que o ensino era melhor e que só não estudava quem não queria é que é novidade para mim.
Eu bem sei que não devia perder tempo com gente assim, que é inútil, que são uma espécie em vias de extinção, mas não consigo. Porque como diz a Paula, “a estupidez incomoda e não é ignorando que ela desaparece” e por isso dei-me mesmo ao trabalho de procurar números.
E acabei por encontrar um belo documento do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa que faz um balanço das mudanças sociais que o nosso país viveu entre a década de 60 até finais do milénio passado. E de entre inúmeras estatísticas ressalvo a seguinte passagem:

A escolaridade universalizou-se. O analfabetismo juvenil terminou, sobrando apenas alguns analfabetos adultos e idosos. Dos quase 40 por cento de analfabetos de 1960, passou-se a uma taxa próxima dos 8 por cento. A expansão do sistema escolar atingiu grandes proporções, tendo chegado, pela primeira vez na história, a todo o território e a toda a população. A escolaridade obrigatória (nove anos) é efectiva desde a década de oitenta. Apesar das elevadas taxas de repetição, insucesso e abandono, quase toda a população juvenil até aos quinze anos está escolarizada. Em 1960, o número de estudantes a frequentar o ciclo terminal do ensino secundário era ligeiramente superior a oito mil; é actualmente de cerca de 380.000. A expansão do sistema de ensino superior foi igualmente muito visível, dadas as suas reduzidas dimensões prévias: entre 1960 e 2000, a população estudante a frequentar estabelecimentos de ensino superior passou de 26.000 para mais de 400.000.

Enfim… é triste saber que há quem não compreenda a dimensão dos números que nesta passagem são retratados.


Comment ( 1 )

  1. ReplyHugo
    Pois... nesse tempo a vida era tão maravilhosa que para a maioria das pessoas... ou se vivia miseravelmente da agricultura, ou se tentava a sorte emigrando. Não é por acaso que temos uma comunidade emigrante tão grande, é mesmo fruto da pobreza em que se vivia nesse tempo. Pensar que há quem julgue que esse tempo é melhor que agora deixa-me triste.