Desde o desaparecimento de Mark Sandman, vocalista e fundador dos Morphine, que existe um vazio enorme no género do acid jazz e blues. Essa é, pelo menos, a minha opinião. O saxofone inconfundível, a voz grave, os ritmos blues com arranjos rock tornaram os Morphine uma das referências dos anos 90 no panorama músical. A morte de Sandman (ataque cardíaco em pleno espectáculo dado em Itália) foi o fim de uma era, e até à data nenhuma outra banda que tente juntar os mesmo ingredientes obteve um estatuto de culto como os Morphine obtiveram.
Existe no entanto um “remake” de outros dois elementos da banda, Dana Colley e Billy Conway, que conjuntamente com Laurie Sargent, vocalista dos Face to Face, decidiram tentar reavivar um género que parece estar longe dos seus dias de maior visibilidade. E para isso formaram os Twinemen em 2002, lançando um álbum homónimo em Julho desse ano e dois anos depois lançando Sideshow.
E volta a ser inconfundível o saxofone, o estilo noir tão característico da componente que os blues pintavam nas pautas dos Morphine. No entanto sou da opinião que o resultado final e global destes álbuns ainda está algo distante da genialidade dos álbuns da banda de Massachusetts, embora pelo meio se encontrem algumas maravilhas como a que vos deixo aqui e que dá pelo nome de Spinner, primeira música do alinhamento do primeiro álbum dos Twinemen. Ouvir isto faz-me voltar a ter a sensação que estou a ouvir a banda sonora de uma vida, só que agora sem a voz de Mark Sandman.