Por vezes os jornais brindam-nos com pérolas que nos deixam de boca aberta. No caso dos adeptos de basquetebol em Portugal, estes já sabem de antemão que esta é uma modalidade com pouca cobertura. É normal visto que é uma modalidade que não gera milhões e por isso tem ainda uma visibilidade algo reduzida no nosso país. Então quando se fala da liga americana (NBA) o que vamos tendo à mão são algumas peças traduzidas de jornais e sites americanos. Até aqui nada de mal.
O problema é quando metem alguém a “encher chouriços”, ou seja, a meter notícias só por meter… Até acredito que o jornalista em questão tenha sido “obrigado” a colocar uma peça sobre basquetebol mesmo sabendo que não é propriamente um perito no assunto, mas há coisas que custam a compreender.
Esta é a pérola que se pode encontrar no Jogo online, e na qual não consta a autoria da mesma.

Bryant Kobe e Kevin Garnett uma troca de milhões

As equipas da NBA, sobretudo as mais importantes estão, aparentemente, agora que o campeonato acabou, em pousio, mas só aparentemente, pois tudo está a mexer, envolvendo grandes estrelas como Kevin Garnett, dos Timberwolves e Kobe Bryant, dos Los Angeles Lakers, que podem ser trocados, isto é, este vai para lá e aquele vem para cá. Em termos simples, é assim. Kobe Bryant, 28 anos, nos Lakers desde 1996, está de candeias às avessas com os proprietários da equipa, onde ganha pipas de dinheiro e com a qual ainda tem quatro anos de contrato para cumprir. Foi o melhor marcador da época regular, mas está decepcionado com o comportamento da equipa ao longo da época e foi mesmo eliminada no primeiro turno da fase final, pelos Phoenix Suns. Bryant deve achar que não tem companheiros à altura. Quer sair e pronto, tanto mais que tem uma cláusula no contrato que lhe permite bater com a porta se alguém pagar o montante ali estipulado. Kevin Garnett, outro jogador de topo, 31 anos, tem mais dois anos de contrato com os Wolves, aos quais deve custar os olhos da cara. Neste caso, são os patrões que vêem com agrado a sua saída. Recorde-se que os Wolves nem sequer se qualificaram para os “play-off”, situação que já dura desde 2004. Trata-se, pois, de uma “supertroca” entre equipas, negócio tão importante na NBA que o diário norte-americano “Los Angeles Times” lhe concede apreciável espaço.

Bem, por onde começar? Pelo português usado? Eh pá, não. Nem vou por aí porque eu também não sou um mestre das letras. Cada um que leia a peça e tire as suas conclusões. Vou antes falar do conteúdo da notícia:

  1. As trocas na NBA não são do tipo “este vai para lá, o outro vem para cá”. As trocas são feitas mediante uma série de regras relacionadas com os salários auferidos por cada atleta. Se um atleta ganha 10 milhões de dólares por ano só pode ser trocado por outro que ganhe o mesmo (numa margem de 15% de diferença) ou por mais do que um, sendo que o total dos salários dos jogadores em troca tem que obedecer à tal regra do máximo de 15% de diferença. Ora, o caso do Garnett e do Kobe é exactamente que não é possível trocar “um para cá e outro para lá“. Aliás, o próprio jornalista refere o LATimes como fonte usada, só que uma busca rápida pelo LATimes mostra que a notícia que lá consta refere exactamente a possibilidade de um negócio que envolva outros jogadores para que a troca se torne viável. Podem consultar a notícia aqui.
  2. Referir que o Garnett custa “os olhos da cara” aos Minnesota e que são os “patrões” que vêem com bons olhos a sua saída não demonstra apenas ignorância do assunto. Demonstra também vontade de não tentar saber minimamente o que se está a escrever. É mais do que conhecido, por quem segue a modalidade, que é exactamente o contrário que acontece. Os “patrões” -suponho que se refira ao presidente e ao general manager Kevin McHale– têm feito mil e um pedidos ao jogador (ano após ano) para que este se mantenha na equipa. As histórias são mais do que conhecidas pelos adeptos do basquetebol e uma busca de 30 segundos num qualquer fórum dedicado à modalidade teria sido o suficiente para não se cometer a barbaridade de escrever o que foi escrito.
  3. Por fim, a “cláusula no contrato que lhe permite bater com a porta se alguém pagar o montante ali estipulado” (referente ao Kobe Briant). Bem, o que posso eu dizer perante tamanha ignorância? Mas com que conhecimentos é que alguém escreve uma coisa destas? Será que quem escreveu a peça tem a menor noção de como funciona a liga americana de basquetebol? Será que quem escreveu a peça tem a menor noção de como funcionam as cláusulas jogador/equipa na NBA? Não há absolutamente nenhuma cláusula (em nenhum jogador da NBA) que permita que tal aconteça.
Enfim, agradeço ao Kokoro do fórum NBA Portugal por ter mostrado esta notícia ao pessoal que por lá anda, e fazendo minhas as palavras dele:

É bom que os jornais portugueses comecem a dar mais cobertura ao Basket nacional, mas há que ter cuidado e assegurar o mínimo de qualidade na informação, senão está-se a desinformar as pessoas….

A sério, vejam a categoria das expressões utilizadas, o uso da língua portuguesa. E até o LA Times fala de Basket, que coisa tão extraordinária. ninja.gif
Não está ao alcance de todos…e se alguém perceber do que é que ele esta a falar, faça o favor de traduzir para mim.

PS: Em quanto esta avaliado o passe do Kobe, ” o montante ali estipulado” como este génio diz ? icon_lol.gif Incrivel o completo desconhecimento do funcionamento da NBA.


Comment ( 1 )

  1. ReplyFreamundense
    Quando não se sabe...não sigo a liga americana de basquetebol,mas pelo que li no post,mostra mesmo muita ignorância pelo jornalista que publicou a notícia!..
    Bem haja