música
4 Comments

You put poison in my soup, you put devils in my dreams.

Não tenho muitos CDs originais e muito menos originais nacionais. Aliás, dos poucos que comprei já nem sei da maioria. Mas tenho dois que guardo religiosamente: Fossanova e La Toilette des Étoiles, ambos dos Belle Chase Hotel.
Ontem, enquanto fazia mais uma travessia de comboio entre a cidade (partida) e a aldeia grande (chegada), ou por outras palavras entre Porto (partida) e Lisboa (chegada) ouvi repetidamente o Fossanova e relembrei-me do porquê de gostar tanto daquilo: é simplesmente perfeito.
Sou sincero e admito que não há muita música nacional que me agrade. Excepções são os projectos do JP Simões, os projectos do Paulo Furtado (especialmente a solo como Legendary Tiger Man) e mais recentemente os X-Wife. De resto tudo o que ouço e que tenha sido feito por cá é passageiro. Ouço Clã, gosto e quando me canso do álbum encosto-o até me esquecer completamente dele; ouço Micro Audio Waves e idem aspas; podia dar mil e um exemplos destes mas acho que percebem o que quero dizer.
Os Belle Chase Hotel pertencem ao minúsculo grupo de bandas às quais posso a qualquer momento ir buscar ao baú e gostar sem me sentir farto de ouvir as mesmas músicas repetidamente.

Mas isto tudo serve para quê? Para dizer que me lembrei de ir ver se o projecto se mantinha morto e enterrado ou se por obra e graça do espírito santo tinha sido ressuscitado. À falta de uma homepage da banda acabei por ir parar à página da wiki, a qual no fim tem a seguinte passagem:

Em Abril de 2007, Pedro Renato revela que o grupo estava a preparar o seu 3º disco e que procuravam um novo cantor.

Humm… não. A sério, não façam isso. Se bem que a passagem refere Abril de 2007, ou seja há mais de ano e meio, até me dói a alma em pensar que pode sair qualquer coisa com uma etiqueta de Belle Chase Hotel sem a voz do JP Simões. Não façam isso, senhores. Chamem-lhe o que quiserem mas não gravem com esse nome.

Os Belle Chase Hotel sem o JP Simões são como os Queen sem o Freddy Mercury, os Rage sem o Zack de la Rocha ou os Diapasão sem o Marante: não fazem sentido.

Quando ouvir alguém a cantar esta Scorpions in Love com o mesmo génio com que o JP Simões a cantou pode ser que mude de ideias. Mas não acredito que vá mudar.

Belle Chase Hotel – Scorpions in love

Scorpions in Love
Letra JP Simões, música Pedro Renato

Baby I’m sorry, I’ve got to go. Maybe i’ll write you: I probably won’t. You brought such misery into my life! Yoy’re lucky I don’t carry a knife. Baby I love you but i’ve got to go. Maybe I’ll miss you: I don’t think so! Maybe I’m lucky to be alive. Oh, what a stupid thing to remind!
You put poison in my soup, you put devils in my dreams, hid your snakes in all my sockets, raised your spiders in my pockets, and you brought home for my birthday a venereal disease… give me love, give me love, oh please?! You said: “Baby let’s get married!”. You said: “Baby let’s get lost!”. I said: “Honey! I don’t mean maybe!”. You said: “Maybe, maybe, maybe. Perhaps! I don’t know… can it be? Is it so?”. Well, nevermind, I’ve got to go. If you think of what I’m thinking and I think you’re thinking of what did happen to our precious dreams… well, the dreams were not enough! Looking back now that I’m sober, this conclusion’s not absurd: baby, we were scorpions in love!