Ontem voltou o Belzebu da política portuguesa, hoje volto eu a escrever aqui a propósito disso mesmo.

O homem pode (e deverá ter) ter razão quando acusa Cavaco de ser o pai da situação trágico-cómica da política nacional.

O homem pode (e os números até parecem confirmar) ter razão quando invoca que passou dois anos a ouvir histórias mal contadas e acusações sem fundamento apontadas a si em relação a uma catrafada de coisas.

O homem falhou redondamente (quase ridiculamente) quando tentou justificar o seu modo de vida em Paris (que só a si lhe diz respeito, desde que não seja gozado com o meu dinheiro) com um empréstimo da CGD. É que eu também gostava de chegar à minha agência e dizer: “Fui despedido, quero agora tirar um ano sabático, ir estudar Filosofia ou Ciências Políticas para Paris, e gostava bastante que me emprestassem uns trocos para isso.”. E que a CGD emprestasse. Este tipo de justificação é pouco menos do que falta de respeito para qualquer português.

Aliás, este foi o ponto mais absurdo da entrevista de ontem. Porque melhor lhe tinha ficado em não aceder a responder a estas banalidades referentes ao estilo de vida que leva ou não leva. E quando acedeu responder entrou no caminho do ridículo. Ficou-lhe mal a ele e ficou muito mal a quem conduziu a entrevista por esses trilhos.

Mas há uma coisa inegável neste retorno do excomungado socialista: ninguém lhe ficou indiferente. Nenhum outro político consegue reunir apoios e insultos como Sócrates reúne. Em dois anos de governo PSD/CDS nunca o PSD tremeu tanto como ontem, nunca o PS tremeu tanto como ontem, nunca o povo tinha parado para ouvir um só político como ontem o fez.

Nenhum político português tem a capacidade de ser político como Sócrates tem, com todas as conotações que a palavra “político” tem hoje junto do povo português.

E é por isso que ontem o país parou às nove e tal da noite, é por isso que hoje todos os jornais analisam ao pormenor o que foi ontem dito, é por isso que as TVs não se calam com os comentadores do costume a bajular ou denegrir o homem.

É por isso que, quer gostem dele quer o abominem, ele pertence a uma estirpe rara de políticos e, por cá, é capaz ser o único exemplar no activo.


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