Modernices/jornalismo
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Quando é preciso levar na tromba…

Ironias engraçadas:
Ontem, Paulo Moura, jornalista enviado do Público na Turquia, escrevia um artigo sobre como foi fácil para a polícia esvaziar o parque Gezi. A polícia, segundo se lia no artigo, não usou de violência, limitou-se a avisar que ia entrar por ali dentro e deixou fugir os manifestantes.

À mesma hora, eu lia os relatos via twitter de quem lá estava. Via pelo Vimeo os vídeos de quem lá estava, seguia pelo tumblr o violento ataque da polícia que causou dezenas de feridos graves.

Paulo Moura escreve ainda no fim do artigo:
“Outros feridos refugiaram-se num hotel situado no extremo norte do parque, o Hotel Divan, que abriu as portas para auxiliar os manifestantes. A polícia cercou o hotel, não permitindo entrar nem sair, mas, segundo manifestantes que estiveram lá, não entrou nem tentou deter quem ali se refugiou.”
Não sei com quem raio ele falou, mas a verdade é que a polícia invadiu o hotel, prendeu médicos que lá estavam a assistir os manifestantes feridos (o PM Erodgan chamou-os de terroristas) e “varreu” o hotel a gás pimenta.

Hotel Divan

Hoje o público noticia “Violentas cargas políciais“.
Sabem qual a diferença que leva a esta súbita mudança de paleio acerca da forma encontrada pela polícia para combater os manifestantes? É simples. O Paulo Moura levou  da mesma polícia que no dia anterior relatou de forma tão simpática e ordeira.

A polícia de choque turca está a reprimir violentamente a manifestação anti-governo que decorre em Istambul. O enviado do PÚBLICO na cidade, Paulo Moura, relatou via telefone que estão a ser lançadas granadas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que estão a ser espancados com bastões e pontapeados – o repórter do PÚBLICO foi uma das pessoas agredidas.

Engraçado, não é?

Modernices/coisas do caraças
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O novo mercado gourmet do Porto

O mercado do Bom Sucesso deixou de ser um mercado para os produtores e passou a ser um mercado para as marcas “gourmet” dos produtos “biológicos”.

Há coisa de um ano e picos visitei o mercado de Valência, cuja comunidade Valenciana tem qualquer coisa como 800 000 habitantes (4 vezes mais que o Porto), onde existe uma moderníssima Cidade das Artes, onde se respira evolução, mas onde o mercado é mantido no formato original, melhorado quando necessita, mantendo o seu aspeto de mercado de bancas para produtores e adicionando-lhe funcionalidades como as vendas online ou os espaços culturais comuns . É funcional, lucrativo e está apinhado de gente.

Mercado de Valência

Comparar o mercado de Valência, a vida que se respira dentro daquele mercado, com a remodelação do mercado do Bom Sucesso (que agora é “mercado”, hotel, sede para escritórios, tem um site com animações flash e musiquinha “lounge” de fundo) é comparar uma cidade/comunidade moderna mas que preserva a sua história com os tiques de parolismo e novo riquismo absurdo a que a Câmara do Rui Rio nos habituou ao longo dos tempos.

Está certo, é um investimento privado num espaço concedido por 50 anos pela Câmara. 50 anos. Vou repetir: 50 anos! E mais 20 de opção. E ouvir o Rio dizer que esta é daquelas parcerias público-privadas bem feitas.

Está certo.