O mercado do Bom Sucesso deixou de ser um mercado para os produtores e passou a ser um mercado para as marcas “gourmet” dos produtos “biológicos”.

Há coisa de um ano e picos visitei o mercado de Valência, cuja comunidade Valenciana tem qualquer coisa como 800 000 habitantes (4 vezes mais que o Porto), onde existe uma moderníssima Cidade das Artes, onde se respira evolução, mas onde o mercado é mantido no formato original, melhorado quando necessita, mantendo o seu aspeto de mercado de bancas para produtores e adicionando-lhe funcionalidades como as vendas online ou os espaços culturais comuns . É funcional, lucrativo e está apinhado de gente.

Mercado de Valência

Comparar o mercado de Valência, a vida que se respira dentro daquele mercado, com a remodelação do mercado do Bom Sucesso (que agora é “mercado”, hotel, sede para escritórios, tem um site com animações flash e musiquinha “lounge” de fundo) é comparar uma cidade/comunidade moderna mas que preserva a sua história com os tiques de parolismo e novo riquismo absurdo a que a Câmara do Rui Rio nos habituou ao longo dos tempos.

Está certo, é um investimento privado num espaço concedido por 50 anos pela Câmara. 50 anos. Vou repetir: 50 anos! E mais 20 de opção. E ouvir o Rio dizer que esta é daquelas parcerias público-privadas bem feitas.

Está certo.


Comment ( 1 )

  1. ReplyAlberto Lemos
    Comparar a *comunidade* valenciana com a *cidade* do Porto é, desde logo, uma falácia. E justificar uma opinião com dados viciados é, desde logo, um sinal de que não será uma justificação bem fundamentada. Portanto, obviamente, o potencial deste mercado está muito longe de se restringir ao habitantes da cidade do Porto, estendendo-se, no mínimo, ao mais de meio milhão que lá trabalham ou estudam. E isso é o mínimo. Depois, o Porto tem o Bolhão, com o conceito tradicional. E o da Ribeira e, próximo do Bom Sucesso, o mercadinho de Agramonte. Qual é o segundo mercado de Valência que pode referir? Não gosta do Rui Rio, está no seu direito. Não discuto isso. Mas enveredar por crónicas destas faz com que uma discussão morra à partida, já que se trata simplesmente de uma crítica ad hominem, logo desprovida de sentido.