Modernices/Politiquices
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O medo dessa coisa estranha que é a democracia

E assim de repente meio país tem medo das eleições, essa coisa estranha que a democracia permite.
Aliás, a principal base ou fundação democrática assenta no livre escrutínio popular, mas hoje a nossa imprensa, os nossos colunistas, os nossos “notáveis” assustam-se com essa premissa.

Invoca-se a estabilidade, essa maravilhosa estabilidade que nos tem sido oferecida por uma alternância entre PS, PSD e CDS que, como todos podemos ver, tão bons resultados tem dado.

Os principais argumentos que me têm apresentado nem são verdadeiramente argumentos. São ideias pré-concebidas, dogmáticas. E erradas.

Ir para eleições era tornar inconsequente o nosso esforço destes últimos dois anos.
Porque manter um governo na linha dos que nos últimos 25 anos nos levou a este caos não é, pois não? Tem dado bom resultado, não tem?

Ir para eleições era dar mau sinal, sinal de instabilidade, aos nossos parceiros.
Aos mesmos parceiros que nos guiaram para políticas comuns que apenas e só nos arruinaram qualquer base de sustentação para uma independência económica? Aos mesmos parceiros que conduzem a europa para um fim que todos vemos mas não se pode dizer em voz alta porque parece mal dizer que isto vai acabar a ferro e fogo?

Ir para eleições era estragar a nossa recuperação de imagem para com os mercados.
Os mesmos mercados que se regulam através da especulação feita por agências ligadas à banca? Tem dado bom resultado, não tem?

Mas o Seguro é tão mau ou pior do que estes.
É. Sem qualquer dúvida. E?

Não estás a dizer para votar nos comunas, pois não?
Não. Estou só a dizer que enquanto acreditarem que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço, os que vos fazem acreditar nisso vão comendo o pequeno almoço das vossas crianças. Se se acham livres assim, se acham que viver nesta escravatura económica é porreiro, se acham que ir votar nos gajos que passaram 30 anos a avisar que esta política europeia ia acabar nisto é coisa que nem se deve ter em conta, então não queiram eleições.
E se/quando elas aparecerem não se esqueçam de ir votar no PS, no PSD ou no CDS.

Mas não se esqueçam também de pedir para que cuspam na cabecinha antes de tomar posse. Para que continuem a fingir que não vos vai doer tanto.