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O novo mercado gourmet do Porto

O mercado do Bom Sucesso deixou de ser um mercado para os produtores e passou a ser um mercado para as marcas “gourmet” dos produtos “biológicos”.

Há coisa de um ano e picos visitei o mercado de Valência, cuja comunidade Valenciana tem qualquer coisa como 800 000 habitantes (4 vezes mais que o Porto), onde existe uma moderníssima Cidade das Artes, onde se respira evolução, mas onde o mercado é mantido no formato original, melhorado quando necessita, mantendo o seu aspeto de mercado de bancas para produtores e adicionando-lhe funcionalidades como as vendas online ou os espaços culturais comuns . É funcional, lucrativo e está apinhado de gente.

Mercado de Valência

Comparar o mercado de Valência, a vida que se respira dentro daquele mercado, com a remodelação do mercado do Bom Sucesso (que agora é “mercado”, hotel, sede para escritórios, tem um site com animações flash e musiquinha “lounge” de fundo) é comparar uma cidade/comunidade moderna mas que preserva a sua história com os tiques de parolismo e novo riquismo absurdo a que a Câmara do Rui Rio nos habituou ao longo dos tempos.

Está certo, é um investimento privado num espaço concedido por 50 anos pela Câmara. 50 anos. Vou repetir: 50 anos! E mais 20 de opção. E ouvir o Rio dizer que esta é daquelas parcerias público-privadas bem feitas.

Está certo.

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Marinho Tinto

Tenho alguma dificuldade em compreender qual o estatuto moral que a Ordem dos Advogados tem para que o seu bastonário emita em formato escrito a sua caganeira ideológica associada à discussão que ocorrerá na próxima semana na Assembleia da República acerca da adoção por casais homossexuais.

Que eu tenha presente, e para justificar por analogia esta minha incredulidade, suponho que não caberá ao Jorge Jesus nem ao Benfica emitir comunicados acerca de assuntos como a ética médica. Porque carga de água é que vem o Marinho Pinto emitir em comunicado associado à Ordem dos Advogados assunções como:

“Os casais do mesmo sexo têm muitos direitos, muitos dos quais, infelizmente, ainda não estão sequer reconhecidos”, mas “não têm, seguramente (nem devem ter), direito a adoptar, porquanto esse pretenso direito colide frontalmente com o direito das crianças a serem adoptadas por uma família natural”. E uma “família natural”, segundo a OA, é isto: “Uma família constituída por um pai (homem) e uma mãe (mulher) e não com um homem a fazer de mãe ou com uma mulher a fazer de pai.

Fonte

Seria fácil ir por mil e um caminhos (ciência, e tal…) que desmontam com incrível facilidade esta anormalidade de pensamento “natural” que claramente não abunda no hemisfério esquerdo de quem representa a O.A., mas a paciência está-me em falta e, por isso:

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A porradinha dos jotinhas

imageAinda há esperança para o futuro deste país. Vamos imaginar por momentos uma cena apocalíptica de pancadaria velha onde os jotinhas se exterminam mutuamente levando à aniquilação dessa raça parasita que vive na esperança de nos vir a governar.

Força meninos, tudo à porrada! Ganha o último a ficar de pé. Vale a pena ler o artigo do Público, quanto mais não seja para formar uma imagem da cena que envolveu dentadas e alicates. Anima logo a manhã da malta.

 

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Cratices e Lusofonices

É só a mim que causa algum asco o facto de que o inquérito que demorou meses a preparar acerca da licenciatura fantasma do Relvas ir pegar no ponto de ele não ter feito um exame por escrito e não tocar nas trinta e picos equivalências obtidas à custa de “experiência profissional comprovada” ?

Ter obtido equivalências por ter sido presidente do rancho lá do Cu de Judas de Cima não é motivo suficiente só por si para invalidar a licenciatura? Está certo. Há que ser meiguinhos com o menino que passou os últimos dois anos a servir a pátria, não é?

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Henrique Raposo. Deve ser primo de alguém.

Quando um tipo é convidado para um jornal como o Expresso para escrever artigos de opinião, e publica coisas como esta, a única coisa que me ocorre é que só pode ser primo ou sobrinho de alguém na direção do jornal.

É que só pode.

Num outro qualquer local, com uma edição decente, esta abominação de croniqueiro já tinha levado um belo pontapé, sido posto na rua e, por piedade, tinham-lhe dado uma inscrição numa conferência qualquer onde se explica (para novatos nestas coisas de perceber teorias políticas) a diferença entre taxação de capitais e roubo de poupanças.

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4ª Classe.

No espaço de poucas horas o “jornal” I publica online dois artigos em que a matemática é atropelada sem dó nem piedade.

Nem olhando para o conteúdo das notícias, pelo facto de que pelo menos uma delas é vergonhosamente declarada como encomenda de opinião e ficando restritos apenas à forma  da mesma, custa-me compreender como é que se publicam os seguintes títulos e leads, sem qualquer vergonha de o fazer:

    • Título: Barómetro i/Pitagórica. Maioria apoia moção de censura de Seguro

LeadQuatro em cada dez inquiridos defendem a moção do PS, que será discutida e votada no parlamento na próxima quarta-feira

  •  Título:”Que se Lixe a Troika”. Núcleo duro dominado por militantes do BE e do PCP

Lead: Bloquistas e comunistas representam um quinto do total dos activistas que organizaram maior manifestação desde 1974

Daqui podemos depreender que:

  1. Quatro em cada dez pessoas representam uma maioria. As outras seis são a minoria.
  2. Um quinto do total, ou seja 20%, são a parte dominante. Os outros 80% são a minoria não dominante.
  3. Estes senhores jornalistas tiveram alguma dificuldade em acabar a quarta classe. De noite.

Os links para os artigos originais:

O dos 4 em dez serem a maioria.

O do quinto do total ser a parte dominante.

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Destreinamento

Imaginem uma equipa de futebol. Existem 23 jogadores no plantel e mais uma equipa técnica com 5 ou 6 treinadores.
Passam a pré-época a treinar lances de bola parada bem desenhados.

Treinam, treinam e treinam.

Fazem alguns jogos de treino e percebem que podem melhorar algumas coisas… alguns movimentos, algumas desmarcações, reduzem o número de possibilidades de erro nas jogadas.

A uma semana do início de época estão todos a executar o plano da equipa técnica quase na perfeição, os golos surgem com naturalidade e entusiasmados, os jogadores mesmo com o cansaço de toda a pré-época nas pernas, fazem treinos extra para aperfeiçoar o que lhes foi pedido.

Na véspera do primeiro jogo a sério da época a equipa técnica comunica aos jogadores:

Amanhã vamos tentar uma coisa completamente diferente. Têm que esquecer o que treinaram e mudar completamente o esquema das jogadas. E exige-se pelo menos um golo de bola parada.

Que conclusões é que os jogadores conseguem tirar, e que resultados podem esperar?

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A EMoral…

Quando for grande quero ter um autocolante da EMEL no carro, que é para poder estacionar assim a carrinha enquanto ando a passar multas a quem “não está bem estacionado”.

Como se pode ver era completamente impossível estacionar normalmente. Não, o senhor da EMEL não conseguia estacionar em paralelo com o passeio tal como todos os outros. Não, o senhor da EMEL fez questão de obstruir o passeio, ligar os quatro piscas e ir inspeccionar a rua toda, estacionamento por estacionamento para poder multar quem estava indevidamente a ocupar o espaço de outros (como os spots publicitários da EMEL nas rádios fazem questão de apregoar).

Quando é que estes gajos são corridos à pedrada?

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The King is dead. Long live the King!

O delírio das massas anti-pirata, dos defensores do bom nome e bons costumes da utilização “racional” da internet, durou hoje cerca de hora e meia.lol1

Por volta do meio dia surgiram notícias em tudo quanto era meio noticioso online do fecho forçado do Pirate Bay.

Por volta das duas da tarde aquilo que se via no site do Pirate Bay era isto:

lol2

É de ler o que diz a t-shirt.

Uma mudança de servidor (e de país de alojamento do mesmo) foi o suficiente para contornar a situação e ter um downtime de menos de duas horas (e por culpa de umas ligações não testadas).

Derrota atrás de derrota as associações do estila MPAA e afins parecem não conseguir perceber a mensagem. Parecem também não conseguir perceber que estes sites não alojam os ficheiros, apenas os “indexam”, ou seja, indicam aos utilizadores que outros utilizadores têm disponível para partilha o que se pretende ver/ouvir/ler/jogar.

E enquanto pedirem 20€ por um CD de música, 20€ por um livro, 60€ por um jogo, com 90% (ou em alguns casos, mais ainda)  da margem de lucro a ir direitinho para os bolsos das editoras e distribuidoras em vez de ir para os artistas, então meus senhores, bem que podem esperar sentados pelo fim da pirataria.

Na cena musical já começa a haver alguma consciencialização do caminho a seguir: algumas bandas começam a optar por disponibilizar os seus CDs online, à borla, simplesmente com a possibilidade de o ouvinte doar o que entende que o àlbum vale. Foi assim que os Radiohead fizeram com o seu último disco e conseguiram seu maior lucro desde a formação da banda.

Uns são inteligentes, outros teimam em ser parvos.

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Anonimato público

Esta notícia do JN deixa-me um bocado confuso.

Screenshot

Então o homem pede anonimato ao JN e o jornal publica o nome, idade, localidade de residência, marca e modelo do carro, conteúdo da mesinha de cabeceira e idade do filho? A meu ver este tipo de interpretação do termo anonimato está incompleto por parte do jornalista e da redacção: faltam ainda o registo criminal, resultados das análises sanguíneas, ficha dentária e código do Visa.