Modernices/jornalismo
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Quando é preciso levar na tromba…

Ironias engraçadas:
Ontem, Paulo Moura, jornalista enviado do Público na Turquia, escrevia um artigo sobre como foi fácil para a polícia esvaziar o parque Gezi. A polícia, segundo se lia no artigo, não usou de violência, limitou-se a avisar que ia entrar por ali dentro e deixou fugir os manifestantes.

À mesma hora, eu lia os relatos via twitter de quem lá estava. Via pelo Vimeo os vídeos de quem lá estava, seguia pelo tumblr o violento ataque da polícia que causou dezenas de feridos graves.

Paulo Moura escreve ainda no fim do artigo:
“Outros feridos refugiaram-se num hotel situado no extremo norte do parque, o Hotel Divan, que abriu as portas para auxiliar os manifestantes. A polícia cercou o hotel, não permitindo entrar nem sair, mas, segundo manifestantes que estiveram lá, não entrou nem tentou deter quem ali se refugiou.”
Não sei com quem raio ele falou, mas a verdade é que a polícia invadiu o hotel, prendeu médicos que lá estavam a assistir os manifestantes feridos (o PM Erodgan chamou-os de terroristas) e “varreu” o hotel a gás pimenta.

Hotel Divan

Hoje o público noticia “Violentas cargas políciais“.
Sabem qual a diferença que leva a esta súbita mudança de paleio acerca da forma encontrada pela polícia para combater os manifestantes? É simples. O Paulo Moura levou  da mesma polícia que no dia anterior relatou de forma tão simpática e ordeira.

A polícia de choque turca está a reprimir violentamente a manifestação anti-governo que decorre em Istambul. O enviado do PÚBLICO na cidade, Paulo Moura, relatou via telefone que estão a ser lançadas granadas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que estão a ser espancados com bastões e pontapeados – o repórter do PÚBLICO foi uma das pessoas agredidas.

Engraçado, não é?

coisas do caraças/jornalismo
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Henrique Raposo. Deve ser primo de alguém.

Quando um tipo é convidado para um jornal como o Expresso para escrever artigos de opinião, e publica coisas como esta, a única coisa que me ocorre é que só pode ser primo ou sobrinho de alguém na direção do jornal.

É que só pode.

Num outro qualquer local, com uma edição decente, esta abominação de croniqueiro já tinha levado um belo pontapé, sido posto na rua e, por piedade, tinham-lhe dado uma inscrição numa conferência qualquer onde se explica (para novatos nestas coisas de perceber teorias políticas) a diferença entre taxação de capitais e roubo de poupanças.

coisas do caraças/jornalismo/matemática
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4ª Classe.

No espaço de poucas horas o “jornal” I publica online dois artigos em que a matemática é atropelada sem dó nem piedade.

Nem olhando para o conteúdo das notícias, pelo facto de que pelo menos uma delas é vergonhosamente declarada como encomenda de opinião e ficando restritos apenas à forma  da mesma, custa-me compreender como é que se publicam os seguintes títulos e leads, sem qualquer vergonha de o fazer:

    • Título: Barómetro i/Pitagórica. Maioria apoia moção de censura de Seguro

LeadQuatro em cada dez inquiridos defendem a moção do PS, que será discutida e votada no parlamento na próxima quarta-feira

  •  Título:”Que se Lixe a Troika”. Núcleo duro dominado por militantes do BE e do PCP

Lead: Bloquistas e comunistas representam um quinto do total dos activistas que organizaram maior manifestação desde 1974

Daqui podemos depreender que:

  1. Quatro em cada dez pessoas representam uma maioria. As outras seis são a minoria.
  2. Um quinto do total, ou seja 20%, são a parte dominante. Os outros 80% são a minoria não dominante.
  3. Estes senhores jornalistas tiveram alguma dificuldade em acabar a quarta classe. De noite.

Os links para os artigos originais:

O dos 4 em dez serem a maioria.

O do quinto do total ser a parte dominante.

coisas do caraças/jornalismo
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Anonimato público

Esta notícia do JN deixa-me um bocado confuso.

Screenshot

Então o homem pede anonimato ao JN e o jornal publica o nome, idade, localidade de residência, marca e modelo do carro, conteúdo da mesinha de cabeceira e idade do filho? A meu ver este tipo de interpretação do termo anonimato está incompleto por parte do jornalista e da redacção: faltam ainda o registo criminal, resultados das análises sanguíneas, ficha dentária e código do Visa.