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Assim sim!

Farto, fartinho de ler notícias deprimentes em jornais. Então no que diz respeito a política… pfff…

Mas hoje pude ler isto no Público:

O primeiro-ministro anunciou hoje um reforço do investimento público no sector da ciência de 250 milhões de euros, em 2007, e avançou que o Estado vai deixar de financiar licenciaturas com menos de 20 alunos em primeira inscrição.

“Só com esta decisão conseguiremos duplicar o investimento público em ciência, alcançando no final da legislatura um mínimo de um por cento do Produto Interno Bruto”, justificou José Sócrates, no discurso de abertura do debate mensal do Governo no Parlamento.

Para além do investimento anunciado, José Sócrates indicou ainda outras seis medidas que pretende ver implementadas a curto prazo.

A primeira diz respeito à “reforma progressiva do sistema científico e universitário”. “Tiraremos todas as consequências do processo de avaliação internacional das instituições científicas e dos laboratórios do Estado, tendo em vista uma gestão mais racional dos recursos”, disse. Numa primeira avaliação, José Sócrates estima a redução de “25 por cento do número dos actuais centros de investigação”.

“Estabeleceremos a regra de não financiar cursos superiores de licenciatura com menos de 20 alunos em primeira inscrição, nem pólos de ensino superior que não satisfaçam limiares mínimos de desempenho, a fixar por avaliação independente”, avisou.

A segunda medida passa pelo aumento “em mais de 60 por cento das bolsas de doutoramento já este ano”, passando de 1550 (em 2005) para 2450 (2006).

As novas bolsas passarão a ser atribuídas “a partir de Outubro, com início no ano lectivo, em vez de, como era habitual, esperarem por Janeiro do ano seguinte”.

Ainda nesta área, o primeiro-ministro referiu a criação de um novo tipo de bolsas: “As bolsas de integração na investigação, destinadas a estudantes de licenciatura e mestrado que sejam integrados em centros de investigação”.

“Por esta via, já no ano lectivo de 2006/2007, vamos conceder cinco mil novas bolsas, a título de incentivo aos jovens para o desenvolvimento de actividades científicas”, acrescentou.

Outra medida anunciada por Sócrates é “a viabilização da contratação pelas instituições científicas de 500 novos investigadores doutorados até ao final de 2007”.

A terceira medida será concretizada já em Maio, e passa por propor “contratos-programa às diferentes instituições de investigação, assegurando mecanismos de co-financiamento para permitir a contratação destes investigadores, em regime de contrato individual de trabalho”.

No discurso, José Sócrates disse que o seu Executivo, “pela primeira vez, vai apoiar financeiramente o registo internacional de patentes, quer nos Estados Unidos da América, quer na União Europeia”. Esta quarta medida irá envolver este ano uma verba de “500 mil euros para co-financiar este processo de registo”.

“Só com registo internacional, poderemos obter reconhecimento e tirar todo o partido da valia económica do trabalho científico dos nossos investigadores”, justificou.

Ainda em relação a projectos na área da ciência, o primeiro-ministro anunciou que o Executivo vai “tornar obrigatório que, nos investimentos públicos de maior dimensão, as empresas envolvidas tenham de afectar uma percentagem mínima, entre 0,5 e um por cento do total de investimento, para projectos de investigação e desenvolvimento a realizar em território nacional”.

Por último, Sócrates adiantou que o Governo pretende “reforçar a intervenção do Programa Ciência Viva junto das escolas e das famílias, tendo em vista a promoção da cultura científica e tecnológica na sociedade portuguesa”.

Merece ser lida por inteiro, em vez de copiar só um excerto.
No caso do meu curso, que tem menos de 20 alunos anuais de primeira inscrição, nem tudo são rosas relativamente a estas novas medidadas anunciadas, mas tem que se admitir: fazem sentido e são o caminho correcto para a modernização da ciência e ensino superior. As bolsas de investigação para alunos de licenciatura e mestrado são medidas que só não se compreende como não estavam já implantadas há anos…

Quando nem o PSD arranja argumentos para criticar o governo de Sócrates…

(sim, já sei que a esquerda radical, vulgo BE e certa facção da própria CDU vai usar o argumento de que esta concordância entre os dois partidos é sinal de que este governo é um governo de direita, blablabla, cassete do costume que já ninguém leva minimamente a sério…)

O único ponto em que discordo é do registo de patentes, mas isso é outra história para que (ponho a minha mão no fogo por isto que vou dizer) muito contribuem os protocolos assinados com a Microsoft aquando da visita do tio Bill cá à terriola, em que levou os nossos governantes por lorpas e eles, todos contentes, lhe comeram da mão sem perceber que estavam a hipotecar o futuro do software livre em muitas áreas por uns quantos anos… é pena que não tenham metido os olhinhos nos países asiáticos mais desenvolvidos que, por coincidência, ou não, são os que mais têm apoiado o software livre, abandonado a política monopolista da M$ e evoluído a nível tecnológico… enfim…

1 thought on “Assim sim!”

  1. Oh, foda-se, nós temos exactamente 20 alunos anuais (tirando os bifásicos), imagina os que tem 5. Eles não vão deixar de financiar os cursos pequenos, acho que isso se deve aplicar a cursos grandes como QUÍMICA.

    E isso das patentes é para aliviar um pouco nos custos das faculdades. Pode ser que se baixem as propinas.

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