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Jean-Michel Jarre

Mais ou menos uma vez por ano dá-me a pancada de ir buscar a discografia de Jean-Michel Jarre e ouvir incessantemente alguns dos temas que me fizeram apaixonar pela música electrónica.
O gosto foi-me passado por um tio meu (o “penulopes” cá de Freamunde e que também já cá comenta, aposto eu que pode confirmar) que desde os meus tenrinhos 10 anos me forneceu algumas k7’s do teclista francês.

A primeira das músicas que ouvi dele, e a que me marcou mais por outros motivos, foi a Rendez-Vous IV. E os motivos pelos quais me marcou explico a seguir.
Ainda estava eu a contar os dias para fazer 6 anos, e lembro-me perfeitamente de em frente do velhinho televisor, no fim de Janeiro de 1986, acompanhado pelos meus pais, assistir à explosão do Space Shuttle Challenger. Os rastos de fumo que cortavam o céu após o aparecimento daquela bola de fogo, segundos após o que parecia ser uma descolagem perfeita, eram o sinal de que a máquina não era infalível, eram o sinal de que aquilo de que o homem tanto se orgulhava de conseguir, afinal, ainda não era perfeito.
A bordo seguiam 7 tripulantes. Um dos quais, Ron McNair, tinha como passatempo tocar saxofone, e J.M.Jarre após ter sido convidado para fazer um álbum de celebração ao 25º aniversário da NASA (e posteriormente fazer um concerto de grandes dimensões em Houston, Texas) e depois de ter tido conhecimento de que Ron McNair nutria o gosto pelo som do saxofone, decidiu convida-lo para tocar uma parte da última música do álbum (seria a Last Rendez-vous).
Foi inclusive mais longe. Combinou com Ron McNair que este tocaria saxofone em órbita, e que a gravação seria usada para que durante o concerto esta fosse projectada em paineis gigantes enquanto que outros samples do seu batimento cardíaco eram também produzidos e trabalhados por J.M.Jarre.
As últimas palavras de Ron McNair foram dirigidas a J.M.J.:

“…Everything’s ready. See you in a week’s time. Watch me on TV for the takeoff!”

Depois da explosão do Challenger, Jarre continuou com o projecto, mas desta vez com a intenção de que este serviria de memorial aos 7 astronautas.
E eu lembro-me que durante vários meses vi as imagens da explosão acompanhadas pela genial Rendez-Vous IV na RTP… São muito raras as memórias que tenho de quando tinha tão pouca idade, mas estas não me abandonarão certamente.

Meses mais tarde, Jarre deu um concerto que esteve vários anos no Guiness como o maior concerto de música rock/electrónica ao ar livre. Entre um milhão e um milhão e meio de pessoas acompanharam ao vivo um espectáculo de luzes montado no topo dos arranha-céus de Houston, onde, num deles, Jarre actuava sendo a sua imagem projectada em inúmeros paineis vídeo gigantes espalhados por uma vasta área.
As fotografias que documentam o concerto são, no mínimo, espantosas.

E a Rendez-Vous IV é, no menor elogio que lhe possa fazer, intemporal.

Jean-Michel Jarre – Rendez-Vous IV

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5 thoughts on “Jean-Michel Jarre”

  1. Olá! Também me apaixonei pelo JMJarre através do meu tio com os meus 11 anos e também adoro o Rendez vous 98 ou o IV ( a unica diferença é que o rendez vous 98 é um remix). Sim, o concerto em Huston foi dos melhores concertos do mundo!!!

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